Autoridades brasileiras e representantes do maior conglomerado farmacêutico estatal da China discutiram oportunidades de aprofundar a cooperação bilateral para fortalecer a produção de medicamentos, vacinas e produtos hemoderivados no Brasil. O encontro foi conduzido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde e integra um esforço contínuo de ambas as nações para ampliar a capacidade produtiva e tecnológica no setor de saúde.
A reunião contou com a participação da secretária da SCTIE, Fernanda De Negri, do secretário adjunto Eduardo Jorge Valadares Oliveira, e de uma comitiva chinesa liderada por Huichuang Yang, CEO da CNBG, subsidiária da Sinopharm, incluindo integrantes do Beijing Institute of Biological Products (BIBP) e da East Biotech. De Negri ressaltou que Brasil e China são parceiros estratégicos em desenvolvimento tecnológico de saúde, destacando a intenção de promover a soberania científica e tecnológica brasileira na produção de medicamentos.
Durante o encontro, a parte brasileira apresentou ao grupo os mecanismos existentes para cooperação entre o setor público e privado, como os programas de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL). Esses instrumentos são apontados como essenciais para fomentar iniciativas que ampliem o acesso a produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), combinando inovação tecnológica, complexidade técnica e redução de custos.
O encontro também foi colocado no contexto de parcerias mais amplas já firmadas entre os dois países no setor de saúde. Em maio de 2025, na China, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, participou de uma comitiva que selou acordos envolvendo produção de vacinas de última geração, transferência de tecnologia e cooperação na área de equipamentos médico-hospitalares, com apoio de empresas chinesas. Esses entendimentos incluíram memorandos para produção de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e equipamentos de imagem médica no Brasil.
Além disso, empresas chinesas já vêm colaborando em projetos que visam reforçar a produção nacional de imunizantes. Em 2025, a Sinovac Biotech assinou parcerias de desenvolvimento de produtos (PDPs) no Brasil com previsão de investimentos na casa dos US$ 100 milhões (cerca de R$ 560 milhões) para ampliar a fabricação local de vacinas contra raiva e varicela, incluindo transferência tecnológica e construção de infraestrutura produtiva.
Especialistas em saúde pública consideram que a cooperação entre Brasil e China no setor pode representar um passo importante para reduzir a dependência de importações, fortalecer a autonomia regional em imunizantes e medicamentos essenciais, e integrar capacidades industriais com foco em inovação. Essa visão de desenvolvimento tecnológico também está alinhada a esforços institucionais mais amplos na região, que buscam fortalecer a produção de insumos e tecnologias em saúde para responder a desafios sanitários emergentes e garantir a segurança de abastecimento.













