O Brasil está muito próximo de retomar as exportações de carne de frango para a China e a União Europeia, dois dos maiores destinos do produto brasileiro no mundo. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (4) pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante entrevista no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
A suspensão temporária dos embarques ocorreu após a confirmação de um caso isolado de gripe aviária em uma granja comercial no país, ainda no primeiro semestre deste ano. O episódio exigiu uma série de medidas sanitárias e negociações diplomáticas por parte do governo brasileiro para assegurar a transparência e a confiabilidade do sistema de controle sanitário nacional.
“O Chile já está pronto para retomar [as compras], e estamos nas últimas negociações com União Europeia e China”, afirmou Fávaro, destacando que o Brasil cumpriu todos os protocolos internacionais exigidos para a reabertura total desses mercados.
A China, segundo maior comprador de carne de frango do Brasil — atrás apenas do Japão —, tem se mostrado um parceiro estratégico na área de alimentos. Em 2023, o país asiático respondeu por mais de 15% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil, e a tendência é de crescimento contínuo, impulsionada pelo aumento do consumo de proteína animal nas grandes cidades chinesas.
Além disso, o Brasil é visto com bons olhos por Pequim por sua capacidade de fornecer grandes volumes com qualidade, rastreabilidade e preços competitivos. Mesmo com as interrupções recentes, a cooperação sino-brasileira no setor agroalimentar tem se mantido sólida, com diálogo técnico permanente e visitas de inspetores sanitários entre os dois países.
A retomada plena das exportações deve representar um alívio para o setor avícola brasileiro, responsável por cerca de 4 milhões de empregos diretos e indiretos no país. A indústria também depende fortemente da estabilidade nas exportações, já que mais de 35% da carne de frango produzida no Brasil é destinada ao mercado externo.
A resolução do impasse com China e UE pode ainda fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor confiável no comércio global de alimentos — especialmente em um momento de crescente preocupação mundial com segurança alimentar e cadeias logísticas resilientes.
Para os analistas de comércio exterior, o desfecho positivo dessas negociações reforça a importância da diplomacia sanitária como ferramenta de competitividade internacional. Também evidencia a relevância de manter relações transparentes e ágeis com parceiros estratégicos como a China, cuja demanda crescente por proteínas continua sendo uma oportunidade valiosa para o agronegócio brasileiro.













