Produção florestal do Brasil atinge recorde de R$ 47,9 bilhões

FonteIBGE

O valor da produção florestal brasileira alcançou o recorde de R$ 47,9 bilhões em 2025, crescimento nominal de 6,7% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e mostram uma ampliação do peso das florestas plantadas na economia do setor.

A silvicultura movimentou R$ 41 bilhões, alta de 8,6%, e respondeu por 85,6% do valor total. Já a extração vegetal, formada por produtos obtidos em áreas de vegetação natural, recuou 3,1%, para R$ 6,9 bilhões. O contraste prolonga uma transformação observada há décadas: desde 1998, o valor gerado pelas florestas cultivadas supera o do extrativismo.

Os valores são correntes, isto é, expressos nos preços praticados em 2025. Por isso, o avanço de 6,7% não deve ser interpretado automaticamente como crescimento real de igual magnitude depois da inflação. A pesquisa mede o valor da produção primária e também não equivale ao faturamento completo da cadeia, que inclui transporte, processamento, celulose, papel, móveis e exportação.

A área estimada de florestas plantadas chegou a 10,4 milhões de hectares. O eucalipto ocupou 78,6% desse território e permaneceu como a principal matéria-prima para celulose, carvão vegetal, madeira e outros produtos industriais. A expansão combina escala agrícola, melhoramento genético, mecanização e proximidade de grandes unidades de processamento.

Minas Gerais liderou o valor da silvicultura, com R$ 9,2 bilhões, equivalente a 22,5% do total nacional. Entre os municípios, Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, registrou o maior valor da produção florestal, R$ 1,8 bilhão, após aumento de 216,3% em um ano. O município concentra grandes projetos de celulose, mas a variação elevada também exige atenção à base de comparação e à entrada de novas capacidades produtivas.

A produção florestal foi identificada em 4.889 municípios, o que mostra uma cadeia geograficamente ampla. Para investidores e fornecedores, o recorde reforça a demanda por máquinas, logística, serviços ambientais, monitoramento e tecnologias de produtividade. Também aumenta a importância de rastreabilidade, uso da água, prevenção de incêndios e controle dos efeitos territoriais de grandes plantações.

O extrativismo segue relevante, sobretudo para economias locais e produtos não madeireiros. Os itens alimentícios extraídos de vegetação nativa somaram R$ 2,2 bilhões. O açaí respondeu por cerca de metade desse valor, com produção de 251 mil toneladas e forte concentração no Pará. A erva-mate movimentou R$ 562,3 milhões, com o Paraná responsável por 88,4% do volume nacional.

Para a relação econômica com a Ásia, o avanço da silvicultura amplia a base de uma cadeia exportadora da qual a celulose é o produto mais visível. A China está entre os mercados relevantes para o setor brasileiro, mas os números do IBGE tratam de produção interna e não permitem atribuir o crescimento a um único destino externo. A conexão comercial precisa ser analisada em conjunto com dados de exportação, preços internacionais e capacidade industrial.

Reportagem independente da CNN Brasil confirmou os principais resultados e destacou que o eucalipto sustenta a expansão das florestas plantadas. O dado central é uma mudança estrutural: a produção cultivada ganha participação, enquanto o extrativismo natural perde espaço relativo e apresenta trajetória mais volátil.

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