Realizada nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Déli, a 18ª Cúpula do BRICS reuniu os países do grupo em torno de temas como desenvolvimento, cooperação, multilateralismo, inovação e governança global. Agora, quase duas semanas após o encontro, os principais resultados da reunião ajudam a definir a agenda do mecanismo para o próximo período, que terá a China à frente da presidência rotativa em 2027.
Um dos principais documentos aprovados foi a Declaração de Nova Déli, na qual os líderes reafirmaram o compromisso com o fortalecimento do multilateralismo e com uma governança global considerada mais representativa e inclusiva. O texto também defendeu maior participação de mercados emergentes, países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos nos processos internacionais de tomada de decisão, além de registrar a preocupação do grupo com conflitos internacionais e defender o diálogo, a consulta e a diplomacia como meios para a solução pacífica de disputas.
A tecnologia ocupou espaço central na agenda apresentada pela China. Durante o segundo dia da cúpula, o presidente Xi Jinping propôs cinco iniciativas de cooperação do chamado “BRICS maior”, voltadas para inteligência artificial, facilitação do comércio e dos investimentos, indústria digital, manufatura inteligente e formação de talentos em ciência e tecnologia. Entre as propostas estão a criação de uma comunidade de inteligência artificial de código aberto do BRICS, uma plataforma digital para o grupo, programas de capacitação e iniciativas para estimular a modernização industrial.
A declaração conjunta também incorporou a inteligência artificial à agenda de desenvolvimento do grupo. Os líderes reconheceram o potencial da tecnologia para contribuir para o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável e defenderam o fortalecimento dos intercâmbios culturais e entre os povos. O encontro ocorreu ainda no ano em que o mecanismo completa 20 anos de cooperação, período em que sua agenda passou a abranger áreas como energia, transporte, tecnologia, cultura e saúde, além das questões econômicas que marcaram sua origem.
Outro destaque da cúpula foi o encontro bilateral entre Xi Jinping e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, realizado à margem da reunião. Os dois governos destacaram a retomada gradual dos intercâmbios institucionais e a ampliação das áreas de cooperação. Xi afirmou que China e Índia devem atuar como parceiras de cooperação, enquanto Modi declarou que seu país está disposto a trabalhar com a China para aprofundar a coordenação no BRICS e em outros mecanismos multilaterais.
Para o Brasil, integrante do BRICS, a discussão sobre tecnologia, comércio, transição energética e governança internacional se conecta a áreas que já fazem parte da cooperação bilateral com a China. O país asiático é apontado pelo governo brasileiro como parceiro relevante em setores como inteligência artificial, energia e recursos minerais, enquanto os dois países também defendem maior coordenação no BRICS e em outros fóruns multilaterais.
Para o próximo ciclo, a definição mais concreta foi a passagem da presidência rotativa para a China em 2027. Xi anunciou durante a cúpula que seu país assumirá a função e sediará a 19ª Cúpula do BRICS. A Declaração de Nova Déli registrou o apoio dos demais integrantes à presidência chinesa e à realização do próximo encontro no país.
Desde o encerramento da reunião, análises publicadas pelo Diário do Povo e pela Xinhua têm destacado o desafio de transformar a expansão do grupo em cooperação prática. O BRICS reúne atualmente 11 membros e, segundo os dados apresentados pela Xinhua, representa quase metade da população mundial, cerca de 30% do Produto Interno Bruto global e aproximadamente um quinto do comércio mundial. Entre os campos apontados para o avanço da cooperação estão energia, transporte, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Com a conclusão da cúpula, a agenda do BRICS entra agora em uma etapa voltada à implementação das propostas aprovadas. As iniciativas sobre inteligência artificial, indústria digital, comércio, manufatura e formação profissional deverão integrar o trabalho do grupo, enquanto a presidência chinesa de 2027 dará continuidade às discussões iniciadas em Nova Déli e preparará a próxima cúpula.



