Beijing, 12 de agosto de 2026 – O ex-primeiro-ministro da China Zhu Rongji morreu nesta quarta-feira (12), às 11h06, em Beijing, aos 98 anos, após tratamento médico sem sucesso devido a uma doença.
O falecimento foi anunciado conjuntamente pelo Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), pelo Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, pelo Conselho de Estado e pelo Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
No comunicado oficial, Zhu Rongji foi descrito como destacado dirigente do Partido e do Estado chinês, revolucionário e político que dedicou sua trajetória ao desenvolvimento e à modernização do país.
Nascido em outubro de 1928, em Changsha, na província de Hunan, Zhu iniciou sua carreira profissional em 1948 e ingressou no Partido Comunista da China em outubro de 1949. Formou-se em engenharia elétrica pela Universidade Tsinghua e, ao longo das décadas seguintes, ocupou diferentes funções em órgãos responsáveis pelo planejamento econômico e industrial do país.
Entre 1987 e 1991, exerceu cargos de liderança em Shanghai, primeiro como vice-secretário do Comitê Municipal do PCCh e prefeito e, posteriormente, como secretário do Partido na cidade. Durante esse período, defendeu a reorganização da estrutura industrial de Shanghai, o fortalecimento da competitividade internacional e a expansão de uma economia voltada ao exterior, participando do processo que levou ao desenvolvimento e à abertura de Pudong.
Em 1991, Zhu assumiu o cargo de vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado. No ano seguinte, tornou-se membro do Birô Político e do Comitê Permanente do Comitê Central do PCCh. Em 1993, passou também a exercer a função de governador do Banco Popular da China.
Nesse período, participou diretamente da formulação de políticas destinadas a controlar o superaquecimento da economia e a inflação, além de promover reformas nas áreas fiscal, tributária e financeira. As medidas contribuíram para o chamado “pouso suave” da economia chinesa na década de 1990.
Primeiro-ministro durante período decisivo de reformas
Em março de 1998, Zhu Rongji foi nomeado primeiro-ministro da China, permanecendo no cargo até março de 2003.
Seu mandato coincidiu com uma fase de profundas transformações econômicas e sociais. Diante dos impactos da crise financeira asiática e de graves enchentes ocorridas no país, o governo adotou políticas fiscais mais ativas, ampliou investimentos e estimulou a demanda interna para preservar o crescimento econômico.
Zhu esteve diretamente envolvido em importantes reformas das empresas estatais, do sistema financeiro, da administração pública, do mercado habitacional e do sistema de seguridade social.
Na área fiscal, participou da implantação do sistema de divisão de receitas tributárias entre os governos central e locais. No setor financeiro, promoveu mudanças no funcionamento do banco central, dos bancos comerciais, do mercado cambial e dos mercados de valores mobiliários e futuros.
A reforma das empresas estatais foi outro ponto central de sua administração. O governo avançou na criação de empresas modernas e na reorganização estratégica do setor estatal, ao mesmo tempo em que ampliou políticas de emprego e proteção social para trabalhadores afetados pelas transformações econômicas.
Seu governo também impulsionou reformas no sistema habitacional, substituindo gradualmente o antigo modelo de distribuição administrativa de moradias por mecanismos de mercado e ampliando a oferta de habitação urbana.
Entrada da China na OMC
Zhu Rongji também teve papel destacado no processo de abertura econômica da China e nas negociações para a entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Após anos de negociações, a China tornou-se oficialmente membro da organização em dezembro de 2001, marco que acelerou sua integração à economia mundial e ampliou significativamente os fluxos de comércio e investimentos internacionais.
Durante seu período à frente do governo, a China manteve ainda a política de estabilidade do renminbi durante a crise financeira asiática, ampliou suas exportações, atraiu investimentos estrangeiros e aprofundou sua participação nos mercados internacionais.
Zhu também esteve envolvido em políticas relacionadas ao desenvolvimento das regiões oeste da China, ciência e tecnologia, educação, defesa nacional, proteção ambiental e construção da Usina Hidrelétrica das Três Gargantas.
Afastamento da vida pública
Em março de 2003, Zhu Rongji deixou o cargo de primeiro-ministro e se retirou gradualmente da vida política ativa.
Segundo o comunicado oficial, após deixar os cargos de liderança, continuou acompanhando o desenvolvimento do país e apoiando as iniciativas de combate à corrupção e de fortalecimento da administração pública.
A nota destacou ainda sua postura de defesa da responsabilidade dos funcionários públicos, a importância de falar a verdade, enfrentar problemas difíceis e colocar os interesses da população no centro da atuação governamental.
Com a morte de Zhu Rongji, desaparece uma das figuras mais representativas da geração de dirigentes chineses que conduziu o país durante a transição acelerada para uma economia socialista de mercado e durante uma etapa decisiva de sua integração à economia global.











