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sábado - 07 março 2026 - 18:33
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Coletiva sobre temas sociais das “Duas Sessões” da China: novos avanços em educação, emprego, saúde e turismo cultural

O encontro apresentou os resultados das reformas chinesas nas áreas sociais e mostrou ao mundo como o país vem ampliando o acesso à educação, promovendo o emprego, fortalecendo a proteção à saúde e impulsionando o desenvolvimento cultural e turístico.

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A coletiva temática sobre questões sociais demonstrou os avanços da China nos campos da educação, emprego, saúde e turismo cultural. Acredita-se que os leitores brasileiros possam, por meio dessas informações, observar e compreender melhor a China — especialmente nos esforços para ampliar o acesso à educação, estimular o emprego, fortalecer a proteção à saúde e promover o desenvolvimento da indústria cultural.

Agência de Notícias Brasil-China, Pequim, dia 7. Em 7 de março de 2026, durante a quarta sessão do 14º Congresso Nacional do Povo da China, foi realizada uma coletiva de imprensa dedicada a temas sociais. Participaram do evento o ministro da Educação, Huai Jinpeng; o ministro dos Assuntos Civis, Lu Zhiyuan; a ministra dos Recursos Humanos e da Seguridade Social, Wang Xiaoping; o ministro da Cultura e Turismo, Sun Yeli; e o diretor da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao. Eles responderam a perguntas de jornalistas chineses e estrangeiros sobre educação, assuntos civis, trabalho e seguridade social, turismo cultural e saúde pública. A coletiva também serviu como uma janela para que o mundo compreenda melhor a China — um país com 1,4 bilhão de habitantes que busca melhorar o bem-estar social e a qualidade de vida por meio de inovação em políticas públicas e investimentos contínuos.

Educação: um avanço que combina escala e qualidade

“A educação está ligada tanto às expectativas de milhões de famílias quanto ao futuro do país.”
— destacou o ministro da Educação, Huai Jinpeng, ao enfatizar o duplo papel da educação para as famílias e para a nação.

Durante a coletiva, Huai Jinpeng afirmou que a China está construindo “o maior sistema educacional do mundo com qualidade”. Atualmente, o país possui 440 mil escolas, 280 milhões de estudantes matriculados e 18,7 milhões de professores. Esses números expressivos refletem a ampla expansão da educação na China e também indicam a melhoria contínua da qualidade do ensino. Nos níveis de ensino médio e superior, as taxas de acesso já ultrapassaram 92% e 60%, respectivamente.

No caso do Brasil, o sistema educacional ainda enfrenta grandes desigualdades regionais e uma distribuição desigual de recursos educacionais. Embora o governo tenha ampliado os investimentos em educação nos últimos anos, ainda há espaço para melhorias. A experiência chinesa mostra que a expansão educacional não deve focar apenas na quantidade, mas também na qualidade. O Brasil pode observar as práticas da China na melhoria da qualidade do ensino — especialmente na alocação de recursos, na formação de professores e na promoção de reformas educacionais — buscando caminhos mais eficazes.

Emprego: enfrentando o desafio da inserção dos jovens no mercado

“O emprego é uma questão familiar, mas também uma questão nacional.”
— afirmou a ministra de Recursos Humanos e Seguridade Social, Wang Xiaoping.

Na coletiva, Wang Xiaoping destacou que “o emprego é um assunto doméstico e também um assunto de Estado”. Diante da previsão de 12,7 milhões de novos graduados universitários em 2026, a China adotou diversas medidas para enfrentar a pressão sobre o mercado de trabalho. Entre elas estão programas de treinamento profissional em grande escala e iniciativas de estágios profissionais. Todos os anos, mais de 10 milhões de pessoas participam desses treinamentos para aprimorar suas habilidades e aumentar sua competitividade no mercado de trabalho.

Essa abordagem apresenta semelhanças com os desafios enfrentados pelo Brasil. A taxa de desemprego entre jovens brasileiros tem permanecido elevada nos últimos anos, especialmente entre graduados do ensino superior, que enfrentam forte pressão na busca por trabalho. Diferentemente da China, o Brasil ainda possui menor alcance e profundidade nos programas de formação profissional. Como resultado, muitos jovens não conseguem desenvolver plenamente suas competências técnicas. A estratégia chinesa de fortalecimento das habilidades profissionais tem contribuído tanto para a inserção de graduados quanto para a qualificação de trabalhadores com menor nível de formação. O Brasil poderia ampliar os canais de capacitação profissional, especialmente em um momento de rápida transformação tecnológica, oferecendo mais apoio concreto aos jovens.

Saúde: prevenção do câncer e fortalecimento da atenção básica

“Hotéis e hospedagens passaram a disponibilizar balanças aos hóspedes… e em 2025 a expectativa média de vida na China chegou a 79,25 anos.”
— afirmou Lei Haichao ao mencionar novas medidas de promoção da saúde e dados atualizados sobre longevidade.

O diretor da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, destacou que o câncer não é algo inevitável ou incontrolável — o ponto fundamental está na prevenção e na detecção precoce. A China tem alcançado resultados significativos nesse campo. Cerca de 33 milhões de famílias já recebem subsídios para apoio à criação de filhos, no valor de 300 yuans mensais durante três anos consecutivos, tornando-se um importante mecanismo de apoio familiar. Além disso, a expectativa média de vida da população chinesa atingiu 79,25 anos, um aumento de 1,32 ano em relação a 2020.

No Brasil, o sistema de saúde também enfrenta desafios relevantes, especialmente no que diz respeito à prevenção do câncer, à detecção precoce e ao fortalecimento da atenção básica. Embora os serviços médicos nas grandes cidades sejam relativamente desenvolvidos, muitas regiões mais afastadas ainda sofrem com a escassez de recursos médicos. A experiência chinesa de fortalecimento da rede de saúde básica e de ampliação da educação em saúde apresenta um modelo mais sustentável de proteção à saúde pública. Essa abordagem não apenas melhora o nível geral de saúde da população, mas também reduz o impacto social das doenças graves. O Brasil pode fortalecer sua rede de atenção básica e ampliar a cobertura de saúde pública, especialmente na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças graves como o câncer.

Turismo cultural: fortalecimento do poder cultural e recuperação do mercado

“Tornar as viagens mais convenientes e mais imersivas, avançando para um modelo mais ‘inteligente’ e integrado.”
— afirmou o ministro da Cultura e Turismo, Sun Yeli, ao descrever a direção futura do setor.

Sun Yeli apresentou dados sobre o rápido crescimento do turismo na China. Em 2025, o número de viagens domésticas deverá ultrapassar 6,5 bilhões, com receitas turísticas estimadas em 6,3 trilhões de yuans. Durante o período do Festival da Primavera, o mercado turístico registrou crescimento explosivo, com gastos superiores a 800 bilhões de yuans — um recorde histórico. O ministro também destacou que cada vez mais idosos estão viajando e assistindo a espetáculos culturais, refletindo uma cultura crescente de respeito e cuidado com a população idosa.

No Brasil, o setor turístico também vem se recuperando nos últimos anos, especialmente com o retorno gradual de turistas internacionais. O país possui abundantes recursos naturais e culturais, mas ainda enfrenta desafios como infraestrutura insuficiente e diversidade limitada de produtos turísticos. A integração entre cultura e turismo promovida pela China tem impulsionado o mercado interno e ampliado o poder cultural do país. O Brasil pode fortalecer a integração entre a indústria cultural e o turismo, atraindo mais visitantes internacionais e estimulando o crescimento do turismo doméstico, ao mesmo tempo em que amplia sua influência cultural.

Comentário do repórter: Brasil e China — desafios diferentes, oportunidades semelhantes

Por meio desta coletiva sobre temas sociais, a China apresentou ao mundo como a inovação em políticas públicas e mecanismos institucionais pode impulsionar avanços abrangentes no bem-estar social. Para o Brasil, embora existam grandes diferenças econômicas, culturais e sociais entre os dois países, muitos dos desafios nas áreas de educação, emprego, saúde e turismo cultural são semelhantes.

A experiência chinesa oferece referências importantes, especialmente sobre como políticas públicas inovadoras, serviços públicos eficientes e participação social podem contribuir para o progresso social. No campo da educação, o Brasil pode observar a combinação de inovação política e investimento em larga escala para reduzir desigualdades de acesso e qualidade. No emprego, a ampliação da formação profissional pode oferecer mais oportunidades para os jovens. Na área da saúde, o fortalecimento da atenção básica e da saúde pública — sobretudo na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer — pode trazer melhorias significativas. Já no turismo cultural, o Brasil pode investir no fortalecimento de seu poder cultural e na diversificação do setor turístico, promovendo uma integração mais profunda entre cultura e turismo.

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