Presidente da China questiona liderança global dos EUA

O presidente da China, Xi Jinping, usou um discurso no principal evento de negócios do país para lançar um ataque velado à liderança global dos Estados Unidos e fazer um alerta contra a desconexão econômica entre Pequim e Washington.

“Os assuntos internacionais devem ser tratados por todos por meio de consultas”, defendeu Xi no Fórum Boao para a Ásia, a “versão chinesa” do Fórum Econômico Mundial de Davos. “As regras feitas por um ou mais países não devem ser impostas a outros.”

Ao defender uma nova ordem mundial, Xi não citou diretamente os EUA em seu discurso de quase 20 minutos, mas falou sobre os esforços da Casa Branca para alterar a cadeia de suprimentos global e para impedir que produtos de alta tecnologia, como semicondutores, sejam vendidos a empresas chinesas.

As declarações de Xi foram feitas pouco depois de uma visita do primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, ao presidente dos EUA, Joe Biden. No encontro, eles se comprometeram a trabalhar juntos para se opor à coerção de Pequim nos mares do sul e leste da China.

A China também tem sido fortemente criticada pelos Estados Unidos, pela União Europeia (UE) e outros países ocidentais por causa da repressão a Hong Kong e pelo tratamento dado à minoria muçulmana uigur na província de Xinjiang.

Xi afirmou que a tática de “interferir nos assuntos internos” de outros países, uma crítica frequente feita pela diplomacia chinesa aos países ocidentais, não será “bem recebida” por Pequim.
O discurso de Xi reflete o desejo do Partido Comunista Chinês de ter uma maior influência global e a frustração do país com os esforços dos EUA para bloquear suas ambições.

Esse sentimento foi alimentado nos últimos anos pelas sanções econômicas impostas por Donald Trump e pelas medidas para impedir que empresas chinesas, como a Huawei, tenham acesso a tecnologias de ponta.
Xi também afirmou que, não importa o quanto a China se desenvolva, o país nunca buscará a hegemonia ou se envolver em uma corrida armamentista.

Apesar das declarações, os chineses só perdem para os EUA em gastos com defesa e estão aumentando a atividade militar em áreas cuja soberania é disputada com o Japão, com as Filipinas, com a Índia e com outros países. No discurso, o presidente chinês também pediu mais colaboração global no desenvolvimento, fabricação e distribuição de vacinas contra a covid-19. Segundo Xi, é preciso melhorar o acesso às doses dos imunizantes nos países em desenvolvimento.

Sobre a desconexão econômica entre EUA e China, Xi afirmou que “construir muros” não é o caminho. “Viola as regras econômicas e de mercado, prejudicando outras pessoas”, destacou.

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