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Trump acirra disputa global e pode aproximar Brasil e Colômbia da China, alerta Celso Amorim

Para assessor especial da Presidência, postura protecionista dos EUA enfraquece o multilateralismo e impulsiona realinhamento estratégico da América Latina rumo à influência chinesa

(Foto: Reprodução/ Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados)

​A política comercial agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter consequências estratégicas significativas para a América Latina, especialmente para países como Brasil e Colômbia. Essa é a avaliação de Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, conforme entrevista ao jornal Valor Econômico.​

Amorim destaca que a postura unilateral de Trump na imposição de tarifas, aliada ao enfraquecimento de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), abre espaço para um realinhamento geopolítico favorável à China. “A maneira como Trump vem agindo na esfera comercial pode empurrar grandes países da região, como Brasil e Colômbia, para a esfera de influência da China”, afirmou o ex-chanceler.​

Esse cenário ganha relevância em meio à expectativa de um novo pacote de tarifas sobre produtos estrangeiros por parte dos EUA, previsto para ser anunciado nesta quarta-feira (2). Embora o Brasil busque soluções diplomáticas, Amorim ressalta que o país já considera medidas de retaliação, desde que não prejudiquem sua própria economia.​

O assessor presidencial alerta ainda para o risco de uma fragmentação do sistema internacional, resultando na formação de três grandes polos de poder: Estados Unidos, China e Rússia. Essa configuração poderia limitar a autonomia de nações em desenvolvimento. “Esse é o risco que a gente corre. Por isso temos que trabalhar muito pela união da América Latina e a relação com a África”, enfatizou Amorim.​

Nesse contexto, ele aponta que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia assume uma importância estratégica, servindo como contrapeso à crescente bipolaridade entre Washington e Pequim. “É uma maneira de contrabalançar. A Europa está meio perdida, mas é um parceiro importante”, concluiu.

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