Mídia chinesa no exterior visita Quanzhou em busca do Patrimônio Mundial

Mil anos de esplendor, testemunhados pela imprensa da diáspora

Agência China–Brasil de Comunicação – Reportagem especial
Na tarde de 28 de janeiro, mesmo sob céu nublado, a antiga cidade de Quanzhou mantinha uma atmosfera vibrante. Vinte e dois representantes de meios de comunicação chineses no exterior, oriundos de países como Filipinas, Austrália e Brasil, reuniram-se na cidade para uma visita imersiva a este sítio reconhecido como Patrimônio Mundial, conhecido como o “Centro Mundial do Comércio Marítimo da China nas dinastias Song e Yuan”, vivenciando de perto sua herança histórica milenar e sua preservação viva na contemporaneidade.

A primeira parada dos representantes da mídia foi o Templo Kaiyuan. As esculturas de apsaras musicais entre as colunas do Salão Mahavira, as imponentes torres gêmeas do Leste e do Oeste e as esculturas em pedra com influências culturais estrangeiras encantaram os visitantes, que registraram intensamente o local, percebendo profundamente o espírito de abertura cultural de Quanzhou como ponto de partida da antiga Rota Marítima da Seda.

Ao sair do templo, a atmosfera vibrante da Rua Oeste tomou conta do ambiente. Lanches típicos do sul de Fujian, o fluxo constante de pessoas e as lojas alinhadas formaram um quadro urbano vivo. Das tradicionais casas de tijolos vermelhos de Minnan, passando pela torre do relógio de estilo sino-ocidental, até as galerias comerciais da Rua Zhongshan com influência do Sudeste Asiático, esse percurso conecta mais de 1.300 anos de história, sendo um retrato vívido da fusão entre tradição e modernidade, Oriente e Ocidente.

No espaço artístico “Fan Zai 1915”, na Rua Oeste, um mestre de chá da empresa Bama Tea apresentou uma elegante demonstração de preparo do chá Gongfu, convidando os jornalistas a participar da experiência. Wang Xue, editora da mídia chinesa da Tasmânia, na Austrália, realizou todo o processo sob orientação. Ao saborear o chá preparado por ela mesma, comentou emocionada que o ritual lhe transmitiu uma sensação de solenidade, como se estivesse fazendo um convite sincero ao mundo.

Em seguida, os convidados visitaram o Espaço Cultural e Turístico de Hui’an, na Rua Oeste, para conhecer a exposição sobre a cultura das mulheres Hui’an e o significado simbólico de seus trajes tradicionais. Hu Tingting, editora-chefe adjunta da revista Chinese Chronicle, da Irlanda, destacou que o espírito de resiliência presente nessa cultura transcende gerações e fronteiras culturais, e expressou o desejo de divulgar essas histórias para atrair mais visitantes internacionais a Quanzhou.

Na Cooperativa de Artesanato e Belas-Artes de Quanzhou, lanternas artesanais, marionetes de fios e a porcelana branca de Dehua impressionaram os representantes. Yang Ren, editor-chefe da revista Indonesia Focus, permaneceu longamente na área de exposição da porcelana de Dehua, registrando os detalhes com atenção. Ele comentou que sempre foi apaixonado por cerâmica e ficou maravilhado ao ver a inovação tecnológica permitir peças tão finas quanto fios de cabelo e lâminas translúcidas como vidro.

No local, um herdeiro cultural apresentou uma demonstração do estilo de artes marciais Yongchun Baihequan (Punho da Garça Branca), equilibrando suavidade e força, recebendo calorosos aplausos. Alguns jornalistas também aprenderam movimentos básicos. Wang Ping, editora-chefe adjunta do Journal des Chinois de France, afirmou que somente após a experiência prática compreendeu a complexidade e o valor do estilo, que alia defesa pessoal e benefícios à saúde.

Na tarde do mesmo dia, foi realizado no Hotel Quanzhou um encontro entre representantes da diáspora chinesa e da mídia chinesa no exterior, reunindo líderes da Federação de Chineses Ultramarinos e líderes comunitários, para um debate dinâmico sobre a cooperação entre mídia da diáspora, turismo cultural e projeção internacional da marca da cidade.

Gao Jin, presidente do jornal European Overseas Chinese News, da Romênia, sugeriu a integração sistemática dos recursos da comunidade chinesa no exterior, a formação de talentos multidisciplinares e o uso estratégico das novas mídias para ampliar o impacto da “comunicação da diáspora”. Já Yan Jia, vice-presidente da Agência de Comunicação China–Brasil, afirmou que irá aproveitar a vantagem da mídia bilíngue chinês-português para promover a integração cultural entre Brasil e Quanzhou, oferecendo serviços completos de internacionalização para projetos de turismo cultural e patrimônio imaterial.

Com a chegada da noite, o grupo seguiu explorando a economia cultural noturna de Quanzhou. Em Xunpu, assistiram ao desfile de moda cultural “Lua da Era Song”, que integrou estética da dinastia Song com moda contemporânea. O espetáculo incluiu apresentações musicais, Nanyin, artes marciais do sul de Shaolin e elementos tecnológicos, com a participação de um robô de inteligência artificial, reforçando a vitalidade digital da economia noturna.

Em seguida, os representantes participaram da cerimônia de iluminação da instalação artística “Som Celestial em Voo”, na Rua Zhongshan, e assistiram ao espetáculo “Fantasia da Árvore Kapok”, apreciando o encontro entre passado e presente de Quanzhou sob luzes deslumbrantes.

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