Em 7 de fevereiro de 2026, durante o evento em Salvador (BA) que marcou os 46 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que é “muito grato pela parceria que o Brasil tem com a China”, qualificando esse relacionamento como “exitosa e respeitosa”. A afirmação ocorreu em um discurso no qual Lula também abordou temas de política externa e criticou pressões externas sobre a América Latina.
No discurso, o presidente mencionou a presença do embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, e reforçou que a cooperação com a China se mantém como um pilar nas relações internacionais brasileiras. Lula afirmou que “toda conversa, toda reunião é para evitar que os países vendam terras raras e minerais críticos para a China”, uma referência às tensões comerciais e geopolíticas em torno de matérias-primas estratégicas, e disse que esse tipo de debate não deve ser encarado como um ataque, mas sim no contexto de competição internacional.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil há mais de uma década. Segundo dados oficiais, o comércio bilateral entre os dois países atingiu valores recordes nos últimos anos, com destaque para exportações brasileiras de commodities como soja, minério de ferro, petróleo, carnes e celulose, e importações de manufaturados, equipamentos e tecnologia chineses. Especialistas em comércio internacional destacam que essa relação tem sido fundamental para o superávit comercial do Brasil e para o dinamismo de setores exportadores ligados ao agronegócio e às commodities.
A parceria econômica se estende também a investimentos e projetos conjuntos. Em maio de 2025, durante visita oficial de Lula a Beijing, foram anunciados acordos de investimentos chineses no Brasil que somaram bilhões de reais em áreas como energia renovável, tecnologia, infraestrutura e agronegócio, refletindo o interesse mútuo em aprofundar relações comerciais e produtivas.
Além do componente econômico, as relações Brasil-China têm se ampliado em arenas multilaterais e políticas. Em 2024, Lula e o presidente chinês Xi Jinping elevaram os laços bilaterais a uma “comunidade de futuro compartilhado”, sinalizando intenções de cooperação estratégica em temas como mudança climática, finanças internacionais, infraestrutura e tecnologia. Tal abordagem insere o diálogo bilateral em um contexto mais amplo de governança global e multilateralismo.
A menção de Lula à parceria com a China no evento do PT ocorre em um momento em que o Brasil busca equilibrar seus vínculos internacionais em meio a pressões geopolíticas crescentes, incluindo relações com Estados Unidos e União Europeia. A ênfase de Brasília na importância do relacionamento com Pequim reflete tanto o peso econômico desse parceiro quanto o reconhecimento político de que a cooperação entre países em desenvolvimento pode ser um elemento de estabilidade em um cenário global volátil.













