Importação de botijões chineses dispara e divide setor de GLP

A importação de botijões de gás fabricados na China registrou forte crescimento em 2026, impulsionada pela expansão do programa Gás do Povo. Dados do setor mostram que as compras saltaram de cerca de 9,9 mil unidades em todo o ano de 2025 para mais de 515 mil apenas no primeiro semestre deste ano, com aproximadamente 90% dos recipientes importados tendo origem chinesa.

O avanço das importações abriu uma disputa entre fabricantes brasileiros de botijões e distribuidoras de GLP. A indústria nacional defende a elevação da tarifa de importação, argumentando que o produto chinês chega ao mercado com vantagem competitiva em relação à produção local. Já as distribuidoras sustentam que a indústria brasileira não consegue atender, no curto prazo, ao aumento da demanda provocado pela ampliação do programa social e pedem a redução ou eliminação do imposto de importação.

Segundo representantes do setor, a expansão do Gás do Povo elevou significativamente a necessidade de novos recipientes para atender milhões de famílias beneficiadas. Esse cenário transformou os botijões em um novo ponto de disputa comercial entre Brasil e China, envolvendo fabricantes de aço, produtores de recipientes, distribuidoras e o governo federal.

O caso ilustra como o aumento da demanda interna pode ampliar a presença de fornecedores chineses em segmentos industriais específicos. Enquanto o governo avalia os pedidos de alteração das tarifas de importação, o setor aguarda uma definição que poderá influenciar tanto os custos de abastecimento quanto a competitividade da indústria nacional de botijões.

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