
O Ministerio da Educação da China publicou planos para“cultivar a masculinidade”em meninos do jardim de infância ao ensino medio. A iniciativa envolve, entre outras frentes, a contratação e a formação de mais professores de Educação Física, mais avaliações da capacidade física dos alunos, a obrigatoriedade da educação em saúde e o apoio à pesquisa de temas como a “influência do fenômeno das celebridades da internet nos valores dos adolescentes”.
Tudo isso porque, tradicionalmente, espera-se que os meninos chineses sejam lideres fortes, tirem boas notas (especialmente na área de exatas e biológicas) e se destaquem nos esportes. O plano segue um aviso de um dos principais conselheiros politicos da China de que o pais esta passando por uma”crise de masculinidade” nacional.
“Os meninos chineses foram mimados por donas de casa e professoras”, disse Si Zefu em uma proposta de política feita em maio passado. Para ele, os meninos se tornariam “delicados, tímidos e afeminados”, a não ser que o governo fizesse algo.
Si Zefu escreveu que abordar a questão é uma questão de segurança nacional, alertando que a “feminização” dos meninos chineses “ameaça a sobrevivência e o desenvolvimento da China”.
As meninas chinesas são tradicionalmente vistas como menos intelectuais e espera-se que sejam menos competitivas. As normas de gênero estão enraizadas na filosofia tradicional, na qual dois elementos governam o mundo: as mulheres são associadas ao elemento mais suave e passivo do “yin”, enquanto os homens são representados pelo elemento mais forte e ativo de “yang”.
A preocupação da China com as proezas físicas de seu povo começou durante o “Século da Humilhação”, período de 1839 a 1949, quando o país foi repetidamente colonizado ou dizimado pelo Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e Japão. O Partido Comunista Chinês construiu depois a narrativa de que, sob sua liderança, o país se fortaleceu para resistir e vencer o Ocidente.
Mas os papéis de gênero estão mudando no mundo inteiro, inclusive na China, e o plano de “encorajar a masculinidade” acendeu um debate sobre estereótipos prejudiciais para homens e meninos.
Desde 2010, mais mulheres entraram nas universidades do que homens, e as elas regularmente os superam em testes padronizados – o que questiona a visão tradicional de que homens são melhores no meio acadêmico. A mudança até gerou um novo ditado popular: “Yin em prosperidade e yang em declínio.”
Além disso, a popularidade de cantores pop chinesas do sexo masculino que usam maquiagem e roupas andróginas influenciam a cultura jovem. Inspirando-se na cultura pop da Coreia do Sul, o K-Pop, as estrelas adotam o visual “estilo gentil”, mais suave de masculinidade, que contrasta com o padrão “durão”.
O aumento do poder econômico das mulheres e do feminismo também ameaçam ideias tradicionais de masculinidade, tendo mais liberdade de tomar iniciativas no âmbito de namoro e casamento e também no trabalho.
Contudo, a desigualdade de gênero na China é alta: no país de 1,4 bilhão de pessoas, há quase 37 milhões de homens a mais do que mulheres, consequência da preferência por meninos na política chinesa de filho único, que vigorou de 1979 a 2015, o que facilita a manutenção de uma visão conservadora de como homens e mulheres devem se comportar.
O governo proibiu em 2016 as representações de relacionamentos homossexuais na televisão chinesa, por exemplo. A lei proíbe “conteúdo vulgar, imoral e prejudicial à saúde”, embora a homossexualidade tenha sido descriminalizada em 1997. Nenhuma lei impede a discriminação com base na orientação sexual.
Em 2019, censores chineses começaram a borrar brincos e cabelos coloridos em celebridades masculinas que apareciam na televisão. O governo também excluiu cenas que retratavam a homossexualidade do filme “Bohemian Rhapsody”, sobre a banda de rock britânica Queen.
Por outro lado, a perspectiva de casamento entre pessoas do mesmo sexo está avançando, e cinemas chineses mostraram o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo da franquia “Guerra nas Estrelas” (“Star Wars”).













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