O governo chinês anunciou que está em processo de elaboração de uma política específica para enfrentar os efeitos da inteligência artificial (IA) sobre o mercado de trabalho, em resposta às transformações profundas que a tecnologia vem promovendo na economia e na estrutura de emprego do país. A informação foi divulgada pelo Ministério de Recursos Humanos e Seguro Social da China durante uma coletiva de imprensa em janeiro de 2026.
Segundo representantes do ministério, a nova política será formalizada por meio de um documento oficial que está sendo preparado e terá como objetivo principal mitigar os impactos negativos da IA sobre empregos, oferecer suporte direcionado a setores-chave e expandir mecanismos de apoio para grupos prioritários, como recém-formados universitários e jovens em busca de trabalho.
A medida acontece em um contexto no qual a adoção acelerada de tecnologias digitais e de IA está moldando o mercado de trabalho chinês, alterando a natureza de muitas ocupações e exigindo novas qualificações profissionais. Autoridades ressaltaram que, ao mesmo tempo em que a IA pode criar oportunidades em áreas emergentes, ela também pode pressionar certas funções tradicionais, exigindo respostas de políticas públicas para proteger a estabilidade do emprego e promover a transição da força de trabalho.
O documento em elaboração incluirá, segundo a imprensa oficial, medidas específicas de apoio à criação de empregos, capacitação profissional e reforço de serviços de emprego, como feiras de trabalho, eventos de recrutamento e iniciativas de formação técnica. O ministério chinês também vincula essas ações a programas mais amplos de apoio às cadeias industriais e à promoção de setores estratégicos para o desenvolvimento econômico sustentado.
Dados oficiais apresentados no relatório do ministério mostram que a taxa de desemprego urbano média na China em 2025 ficou em 5,2%, enquanto o país criou cerca de 12,67 milhões de empregos urbanos novos no mesmo período, superando a meta anual proposta. Essas cifras são usadas pelas autoridades para argumentar que a conjuntura geral do emprego permanece estável, apesar das mudanças induzidas pela transformação tecnológica.
Especialistas em mercado de trabalho observam que as políticas focadas na relação entre IA e emprego tendem a considerar não apenas a proteção frente à automação, mas também capacitação de trabalhadores, estímulo à qualificação em áreas digitais e integração entre educação e setores econômicos em expansão. Esse enfoque busca equilibrar os efeitos da tecnologia com a necessidade de manter uma força de trabalho qualificada e empregável no longo prazo.













