China diz que acordo com o Canadá não tem terceiros como alvo após ameaça de tarifas dos EUA

Beijing afirma que parceria bilateral busca cooperação “ganha-ganha” e não confrontação, em meio a pressões tarifárias de Washington

(Foto: Reprodução)

O governo chinês afirmou em 26 de janeiro de 2026 que os acordos econômicos e comerciais firmados com o Canadá não são direcionados a nenhum terceiro país, depois de ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o acordo com Pequim seja concluído. A declaração foi dada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em entrevista coletiva em Pequim.

O acordo preliminar entre China e Canadá, anunciado durante a visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim, inclui a redução de tarifas chinesas sobre importações de canola e a concessão de isenção de visto para cidadãos canadenses. Segundo tempo das negociações, a parceria representa um esforço bilateral para tratar de questões econômicas e comerciais entre os dois países.

Nos últimos dias, Trump declarou que poderia aplicar tarifas de 100% sobre bens canadenses importados pelos Estados Unidos se o acordo entre Canadá e China avançar, alegando que isso poderia levar a China a “despejar seus produtos baratos” no mercado americano por meio de Ottawa. A ameaça elevou tensões comerciais entre Washington e Ottawa, que é um aliado tradicional dos EUA.

Ao comentar a posição americana, o porta-voz chinês Guo Jiakun ressaltou que China e Canadá estabeleceram um novo tipo de parceria estratégica bilateral e que o entendimento alcançado “não tem como alvo nenhum terceiro país”. Ele acrescentou que Pequim defende que as relações entre Estados devem ser conduzidas em uma mentalidade de “ganha-ganha”, em vez de uma abordagem de soma zero, e por meio da cooperação em vez da confrontação.

A declaração chinesa ocorre em um momento de crescente discussão sobre disputas comerciais e a aplicação de tarifas como ferramenta de política externa. Analistas observam que a postura de Beijing pode ser interpretada como um apelo à estabilidade nas relações multilaterais e ao respeito mútuo entre parceiros comerciais.

Autoridades canadenses, por sua vez, reafirmaram que o acordo com a China — que inclui apenas a redução de tarifas em setores específicos e facilitação de vistos — está em conformidade com compromissos existentes sob o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), e que Ottawa não pretende firmar um tratado de livre comércio abrangente com Pequim.

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