O governo da China declarou nesta terça-feira (10) que está disposto a ajudar Cuba a enfrentar a grave escassez de combustível que vem paralisando parte das atividades na ilha caribenha, em meio a uma crise energética considerada severa pelas autoridades locais. A informação foi transmitida pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, durante entrevista coletiva em Pequim.
Segundo Lin, a China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e segurança nacionais e se opõe a interferências estrangeiras que prejudiquem o direito do povo cubano à subsistência e ao desenvolvimento. Ele afirmou que Pequim fornecerá apoio e assistência “na medida de suas capacidades”, embora não tenha detalhado os tipos específicos de ajuda que serão entregues.
A crise em Cuba se agravou nos últimos dias com a escassez de combustível, especialmente querosene de aviação, o que levou companhias aéreas internacionais a cancelarem voos e tem impacto direto no setor turístico, uma das principais fontes de receita do país. Autoridades cubanas alertaram que a falta de combustível deverá persistir por semanas, intensificando efeitos sobre serviços públicos e transporte.
Pequim também reiterou que não há registros de cidadãos chineses retidos em Cuba devido à suspensão dos voos, destacando que a situação de estrangeiros no país está sendo monitorada. Além do apoio político, a China tem histórico de cooperação com Cuba em áreas como energia e infraestrutura, e enfrenta pressões geopolíticas semelhantes àquelas apontadas por Havana em relação a restrições impostas por outros países.
O anúncio chinês ocorre em um contexto de respostas e críticas internacionais à crise cubana. Países como México e Rússia também manifestaram solidariedade ou buscam maneiras de auxiliar Havana diante das restrições de combustível impostas no âmbito de disputas geopolíticas mais amplas envolvendo os Estados Unidos, principal parceiro histórico de Cuba até o endurecimento de sanções e bloqueios de fornecimento.
Analistas apontam que, embora a China não tenha ainda detalhado medidas concretas de envio de combustível, a declaração de apoio reafirma a relação tradicional entre Pequim e Havana e insere a crise energética cubana em um quadro mais amplo de alinhamentos políticos e econômicos no cenário internacional.












