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quarta-feira - 26 agosto 2026 - 15:22
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Brasil e China estudam ampliar voos diretos e cooperação na aviação

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Autoridades do Brasil e da China reunidas em Pequim para discutir aviação civil e voos diretos

Brasil e China abriram uma nova frente de negociação para ampliar a conectividade aérea entre os dois países. Em reunião realizada em Pequim na terça-feira, 25 de agosto, o ministro brasileiro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, propôs à Administração da Aviação Civil da China (CAAC) a realização de estudos sobre o aumento da frequência dos voos diretos, além de cooperação na formação de profissionais e no desenvolvimento de tecnologias para o setor.

A conversa ocorre em um momento de crescimento das relações econômicas e do intercâmbio de pessoas, mas ainda não representa o anúncio de novas frequências. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, existem atualmente quatro voos diretos por semana entre Brasil e China. A etapa discutida em Pequim é técnica: avaliar demanda, capacidade operacional e condições para ampliar as opções de conexão entre os dois mercados.

Formação de pilotos e novas tecnologias

A qualificação de pilotos e tripulantes apareceu como um dos principais eixos da reunião. A delegação brasileira recebeu informações sobre uma academia chinesa de aviação que opera mais de 500 aeronaves destinadas ao treinamento. A proposta é criar canais para intercâmbio de conhecimentos, experiências e métodos de formação profissional.

Esse ponto pode ter importância prática para o Brasil. A expansão do transporte aéreo exige não apenas aeronaves e aeroportos, mas também profissionais habilitados, sistemas de segurança e capacidade regulatória. Uma cooperação bem estruturada poderia aproximar instituições de ensino, autoridades e empresas, embora os formatos ainda precisem ser definidos pelas partes.

O encontro também abordou modernização tecnológica e intercâmbio técnico. Tomé Franca apresentou o potencial brasileiro para produzir combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. O produto é considerado uma das ferramentas para reduzir emissões no setor aéreo, mas sua adoção em escala depende de oferta, custos, certificação e regras compatíveis entre mercados.

Conexão aérea tem impacto além do turismo

Uma eventual ampliação de frequências pode beneficiar viagens de negócios, turismo, intercâmbio acadêmico e transporte de cargas de maior valor. Para empresas brasileiras e chinesas, mais opções de voo tendem a reduzir a dependência de conexões longas e a tornar agendas presenciais mais previsíveis. Para passageiros, o efeito dependerá de fatores como horários, preços e continuidade da operação.

A notícia também exige precisão sobre o significado de “voo direto”. Rotas entre Brasil e China podem incluir parada intermediária sem troca de número de voo. Por isso, o resultado das conversas deverá ser acompanhado nos anúncios das autoridades e companhias aéreas, que definirão itinerários, frequências e condições comerciais.

Logística e agronegócio entram na mesma agenda

A missão brasileira na China incluiu ainda uma reunião com a COFCO, grupo chinês com forte presença no agronegócio. De acordo com o ministério, a empresa movimenta mais de 14 milhões de toneladas de grãos no Porto de Santos e mantém uma área de 98 mil metros quadrados, com capacidade estática para 490 mil toneladas.

Em 2025, a COFCO adquiriu 979 vagões e 23 locomotivas em parceria com a Rumo para transportar grãos até Santos. O complexo portuário da empresa é apresentado como seu maior ativo de exportação fora da China. Esses números mostram que a agenda de conectividade bilateral combina transporte de passageiros, formação profissional, infraestrutura e corredores de comércio.

A missão segue com compromissos em Xangai ligados a portos e logística. No caso dos voos, o próximo sinal concreto será a abertura de estudos e, posteriormente, eventuais decisões regulatórias e comerciais. Até lá, a ampliação permanece uma possibilidade em análise, e não uma frequência já contratada.