Apple não vai lançar recurso de privacidade do iCloud na China

A nova função da Apple que protege a navegação de usuários do Safari não será lançada na China. O Private Relay, um proxy que retransmite conteúdo por duas fontes para dificultar o rastreamento, não deve chegar aos chineses por motivos de regulamentação, segundo a Reuters. O novo recurso faz parte do iCloud+, revelado na segunda-feira (7) durante a WWDC 2021.

O Private Relay faz parte de um grande pacote de privacidade que a Apple anunciou em sua conferência anual; novos recursos incluem uma Siri que responde a comandos de voz sem usar a internet, Relatórios de Privacidade para cada app instalado e um recurso chamado Hide My Email, que usa e-mails únicos para cadastro em sites suspeitos – protegendo a pessoa de spam.

Mesmo assim, não disponibilizar o Private Relay na China é mais uma concessão da big tech americana ao governo do país – o segundo maior mercado da big tech no mundo, e responsável por 15% do total de vendas. No dia 28 de maio, a Apple oficialmente ativou os servidores de iCloud que armazenam dados de clientes chineses e que estão sob controle de uma firma de cloud estatal.

A navegação de usuários chineses é estritamente monitorada pelo governo, que tem uma postura linha dura quando se trata de possíveis dissidentes que usam a internet. No país asiático, furar o bloqueio a sites estrangeiros usando uma rede virtual privada, ou VPN, é uma afronta às autoridades e ao Partido Comunista. Sob o governo de Xi Jinping, a censura avançou na China.

Em 2020, a Apple deletou de sua App Store chinesa aplicativos de VPN justamente para cumprir com demandas do governo. O monitoramento do marketplace de apps da marca é comum: ela já apagou inclusive plataformas usadas para marcar protestos pró-democráticos. O Private Relay não é exatamente um VPN, mas protege os dados de navegação de um jeito parecido.

O Private Relay, que faz parte do novo plano iCloud+, redireciona o sinal a um servidor da Apple, que esconde o IP do usuário; esse sinal é então redirecionado para um servidor controlado por uma empresa terceirizada que coleta as informações e dá ao usuário um endereço de rede temporário. Isso faz com que nem a Apple tenha acesso ao histórico de navegação.

Contudo, não é só a China que fica de fora do Private Relay: a Apple também diz que não deve lançar o recurso na África do Sul, Arábia Saudita, Bielorrússia – ditadura controlada por Aleksandr Lukashenko –, Cazaquistão, Colômbia, Egito, Filipinas Turcomenistão e Uganda.

A big tech não disse quais serão as empresas terceirizadas que devem usar o Private Relay, mas promete revelá-las no futuro. A nova ferramenta de proteção à privacidade deve chegar aos usuários até o final do ano.

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