O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “vergonhosa” a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, dois dias após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. O parlamentar chegou aos Estados Unidos na terça-feira, 27 de outubro, segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira e reproduzidas pela agência estatal chinesa Xinhua.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). O prazo para cumprimento da ordem terminou às 11h de terça-feira. O senador não entregou os documentos dentro do período estabelecido e deixou de ser localizado em Brasília.
Lula fez as declarações durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Ao comentar a viagem do adversário eleitoral, comparou a situação à sua própria trajetória judicial e afirmou que permaneceu no Brasil quando foi intimado a entregar seu passaporte, em 2018.
“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, declarou o presidente. Lula também disse lamentar a saída do senador e defendeu que ele permanecesse no país para responder às acusações e esclarecer sua situação perante a Justiça.
Chegada à Flórida e percurso da viagem
Segundo as informações, Flávio Bolsonaro chegou à Flórida acompanhado da esposa e das filhas e encontrou-se com o irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
A rota utilizada para deixar o Brasil foi inicialmente relatada de maneira incompleta. Informações posteriores da imprensa indicaram que o senador e sua família atravessaram a fronteira com a Argentina e seguiram em um voo privado, com destino aos Estados Unidos após uma escala no Equador.
Até a divulgação das primeiras notícias, não havia confirmação de que Flávio pretendesse estabelecer residência permanente nos Estados Unidos. A viagem ocorre em meio a investigações judiciais e a questionamentos sobre o cumprimento da determinação de entrega dos passaportes.
A Polícia Federal informou que os passaportes brasileiros do senador foram cancelados após o descumprimento do prazo judicial. O caso também gerou questionamentos sobre os procedimentos adotados para a saída do país e a entrada do parlamentar em território norte-americano.
Investigações em andamento
Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e plataformas de apostas on-line. O advogado e o senador confirmam que são amigos, mas negam sociedade entre eles e qualquer irregularidade.
O parlamentar também é alvo de outra investigação da Polícia Federal relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações ainda estão em andamento, e a existência de inquéritos não equivale a uma condenação. Flávio nega irregularidades.
A ordem de entrega dos passaportes foi expedida no contexto da investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O descumprimento da determinação poderá ter consequências judiciais, cuja definição depende das autoridades responsáveis pelo caso.
Repercussão política após a eleição
A saída do senador ocorre em um momento de tensão política, depois de ele perder o segundo turno presidencial para Lula. O resultado oficial deu ao presidente reeleito 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Após a derrota, o senador contestou o resultado e anunciou a intenção de questionar judicialmente a eleição. A viagem aos Estados Unidos acrescentou um novo elemento à disputa política, especialmente diante da ordem judicial relacionada aos seus passaportes.
Lula, por sua vez, utilizou o episódio para defender o cumprimento das decisões judiciais e criticar a atitude do adversário. Suas declarações, feitas durante uma celebração pessoal em Brasília, também retomaram a comparação entre as experiências judiciais dos dois políticos.
O caso segue sujeito a desdobramentos judiciais e políticos. Até que as autoridades se pronunciem sobre as consequências do descumprimento da ordem, permanecem em aberto os próximos passos da investigação e a situação processual do senador.



