Marcas de musgo sobre as antigas olarias, esmaltes que guardam o esplendor de oito séculos de tradição cerâmica.
A pedra preserva a essência do sagrado, enquanto imagens budistas atravessam os séculos entre a névoa e as montanhas.
Poema em homenagem ao Parque Arqueológico das Antigas Olarias de Qiong e do Templo Longxing
Às margens de águas serenas, repousam os vestígios da antiga Linqiong;
sobre os montes das olarias, o musgo testemunha a passagem dos séculos.
O brilho dos esmaltes preserva a arte dos antigos mestres,
e as imagens esculpidas em arenito transmitem a essência da tradição.
Os corredores sinuosos acompanham as curvas das colinas,
enquanto preciosas relíquias revelam os laços com o passado.
Diante dos vestígios, contemplo em silêncio a beleza das coisas,
e um jardim reúne a paisagem e a memória da dinastia Tang.

Estátua de pedra do templo longxing Fotografada por Dai Kun

Estátua de pedra do templo longxing Fotografada por Dai Kun
Agência Brasil China, 14 de outubro — Entre as montanhas e os rios de Qionglai, na província de Sichuan, no sudoeste da China, encontram-se dois importantes testemunhos da herança cultural da antiga região de Shu: as milenares olarias de Qiong e as esculturas budistas do antigo Templo Longxing, construído durante a dinastia Tang. Ambos representam capítulos importantes da história artística e cultural do oeste de Sichuan.
A produção cerâmica de Qiong teve início durante as Dinastias do Sul e se manteve ativa por cerca de oito séculos. Consideradas um dos maiores centros de produção cerâmica popular do sudoeste da China, as antigas olarias deram origem a uma grande variedade de peças, entre elas cerâmicas de esmalte verde, peças policromadas conhecidas como Qiong sancai e lâmpadas a óleo de baixo consumo. Com seus esmaltes de cores variadas e o acabamento delicado, esses objetos representam uma expressão significativa da arte cerâmica tradicional de Sichuan.

Os fornos de Qionglai Fotografada por Dai Kun
As esculturas em pedra do Templo Longxing, por sua vez, foram descobertas em uma câmara subterrânea do complexo religioso. Produzidas ao longo de diferentes gerações, entre as dinastias Liang e Tang, destacam-se pela elegância das formas e pela delicadeza dos traços. Mesmo fragmentadas, as esculturas preservam características artísticas das Dinastias do Sul e do período Tang, constituindo um importante patrimônio da arte budista de Sichuan.
Construído em torno desses vestígios históricos, o atual parque arqueológico integra a preservação do patrimônio à valorização paisagística e à interpretação histórica. Passarelas e corredores de madeira acompanham o relevo dos antigos montes de resíduos cerâmicos, enquanto a vegetação envolve os vestígios dos fornos de túnel. Árvores, gramados e caminhos sinuosos compõem um ambiente harmonioso, no qual a experiência de visitação se combina à contemplação da paisagem.

Os fornos de Qionglai Fotografada por Dai Kun
O percurso expositivo reúne um conjunto diversificado de vestígios arqueológicos e recursos interpretativos. Cortes demonstrativos dos fornos, oficinas de produção cerâmica, peças desenterradas e esculturas budistas em pedra são apresentados em sequência, permitindo compreender diferentes aspectos da vida material e espiritual da região.

Os fornos de Qionglai Fotografada por Dai Kun
Os vestígios arqueológicos, os exemplares cerâmicos, as inscrições associadas às esculturas e os relatos sobre as técnicas tradicionais de produção formam uma narrativa integrada. Ao mesmo tempo que preserva as marcas do tempo presentes no sítio original, o parque oferece atividades educativas, experiências práticas de cerâmica e acesso a exposições documentais.

Os fornos de Qionglai Fotografada por Dai Kun
Dessa forma, os antigos fornos e as esculturas budistas, antes ocultos sob a terra ou dispersos em fragmentos, deixam de ser vestígios isolados e passam a integrar uma narrativa abrangente da civilização, que os visitantes podem conhecer de maneira imersiva.

Estátua de pedra do templo longxing Fotografada por Dai Kun
Ao percorrer o parque, o visitante encontra dois universos artísticos complementares. De um lado, a transformação da argila em cerâmica, conduzida pelo domínio técnico dos artesãos e pelo calor dos fornos; de outro, a delicadeza das esculturas budistas talhadas em arenito, nas quais a espiritualidade se manifesta por meio da pedra.

Estátua de pedra do templo longxing Fotografada por Dai Kun
As cores dos esmaltes dialogam com as silhuetas das imagens budistas; a terra moldada pelas mãos humanas encontra a força expressiva da pedra esculpida. Nesse encontro entre arte, espiritualidade e memória histórica, a herança milenar de Linqiong se revela gradualmente, compondo um retrato vivo da riqueza cultural de Qionglai.(Fim)
Fonte: Dai Kun



