China marca 90 anos da vitória da Longa Marcha; Xi Jinping pede novas conquistas nacionais

A China realizou nesta quinta-feira (22), em Beijing, uma assembleia para marcar o 90º aniversário da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho, episódio central da história do Partido Comunista da China (PCCh). Durante a cerimônia, o presidente Xi Jinping pediu que o país preserve o legado da campanha e avance em uma nova etapa de desenvolvimento, que classificou como uma “nova Longa Marcha”.

O evento ocorreu no Grande Palácio do Povo e contou com a presença de Xi, também secretário-geral do Comitê Central do PCCh e presidente da Comissão Militar Central. Participaram ainda o primeiro-ministro Li Qiang, o presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, e outros integrantes da direção central do Partido e do Estado. Zhao presidiu a cerimônia.

Em seu discurso, Xi afirmou que recordar a história é necessário para preparar o futuro. Ele convocou o Partido, as Forças Armadas e a população a manter a unidade em torno da liderança central, promover o chamado espírito da Longa Marcha e dar continuidade ao projeto de modernização do país.

A retirada militar que marcou a história do Partido

A Longa Marcha ocorreu entre outubro de 1934 e outubro de 1936, quando unidades do Exército Vermelho lideradas pelo Partido Comunista se deslocaram por extensas regiões da China para escapar do cerco imposto pelas forças do Kuomintang, então adversário político e militar dos comunistas.

Segundo a narrativa histórica oficial chinesa, as tropas atravessaram mais de dez províncias, percorreram cerca de 12.500 quilômetros e enfrentaram combates, rios, montanhas cobertas de neve e áreas pantanosas. A marcha terminou com a reunião de diferentes unidades do Exército Vermelho no noroeste do país.

O episódio teve consequências importantes para a sobrevivência do movimento comunista e para a consolidação de sua liderança. A experiência também se tornou parte central da memória política do PCCh, que associa a campanha à resistência diante de adversidades, à disciplina organizacional e à mobilização popular.

No discurso desta quinta-feira, Xi atribuiu a vitória da Longa Marcha à liderança do Partido, à firmeza das convicções revolucionárias, à independência de pensamento combinada com a análise concreta da realidade e ao apoio da população. Ele também homenageou os dirigentes revolucionários históricos, os combatentes que participaram da marcha e as comunidades que ajudaram as tropas ao longo do percurso.

Xi relaciona o legado histórico à modernização

Xi afirmou que a Longa Marcha não pertence apenas ao passado e utilizou a expressão “nova Longa Marcha” para se referir aos desafios atuais da China. Segundo ele, a jornada contemporânea exige a manutenção dos objetivos políticos do Partido, o desenvolvimento econômico e social e a capacidade de enfrentar riscos e dificuldades.

O presidente apresentou cinco diretrizes para essa etapa: preservar os ideais e compromissos do Partido; promover o desenvolvimento de alta qualidade e melhorar as condições de vida da população; enfrentar riscos e desafios de segurança; acelerar a modernização das Forças Armadas; e fortalecer a disciplina e a organização do Partido Comunista.

No campo econômico, Xi defendeu avanços que combinem crescimento quantitativo com melhoria da qualidade do desenvolvimento, além de medidas voltadas à prosperidade comum. O discurso também relacionou a modernização nacional ao objetivo de construir um país socialista moderno e avançar na revitalização da nação chinesa.

Na área militar, o presidente pediu que o país continue a desenvolver forças armadas de nível mundial e cumpra as metas estabelecidas para o centenário do Exército de Libertação Popular, em 2027. Sobre a organização política, defendeu a continuidade dos esforços de combate à corrupção e de fortalecimento da disciplina interna do Partido.

As declarações integram a interpretação oficial do PCCh sobre a Longa Marcha e sua relevância para os objetivos nacionais contemporâneos.

Memória histórica e mobilização nacional

A assembleia faz parte de uma série de atividades organizadas em 2026 para recordar os 90 anos da vitória da Longa Marcha. Em setembro, uma exposição temática foi inaugurada no Museu Militar da Revolução do Povo Chinês, em Beijing, com documentos, fotografias, obras de arte e objetos históricos relacionados à campanha.

A exposição inclui episódios como a Reunião de Zunyi, em 1935, considerada pelo Partido um marco na reorganização de sua liderança, além de operações militares e relatos sobre o apoio prestado por comunidades locais às tropas.

A comemoração ocorre também no ano do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, criado em 1921. Ao recuperar a memória da Longa Marcha, a liderança chinesa busca relacionar a experiência revolucionária às prioridades atuais de desenvolvimento, segurança, coesão política e modernização.

A expressão “nova Longa Marcha”, utilizada por Xi, sintetiza essa associação entre memória histórica e objetivos futuros. No discurso, o presidente apresentou a continuidade do projeto político do Partido como elemento central para enfrentar os desafios internos e externos e alcançar as metas nacionais de longo prazo.

Compartilhar Artigo

BRL - Moeda brasileira
USD
4,9826
CNY
0,7432
spot_img

Popular

Artigos Relacionados
RELACIONADOS

Comércio entre Brasil e China bate recorde de US$ 143 bilhões em nove meses de 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou US$ 143,3...

Vale levará tecnologias de mineração inteligente e exposição sobre a Amazônia à feira CIIE 2026, na China

A mineradora brasileira Vale participará da 9ª Exposição Internacional...

China diz que não há “zona cinzenta” na questão de Taiwan e critica aproximação com Filipinas

A China afirmou nesta quinta-feira (22) que não existe...

China combina expansão do armazenamento de energia renovável com prioridade à conservação ecológica

A China tem buscado avançar na transição energética sem...