Indústria da China volta à expansão em setembro, mas recuperação segue desigual

A atividade industrial da China voltou à zona de expansão em setembro, encerrando dois meses consecutivos de retração, mas os dados oficiais ainda mostram uma recuperação desigual entre empresas, setores e componentes da demanda. O índice de gerentes de compras da indústria de transformação, o PMI, avançou de 49,8 em agosto para 50,1 pontos, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China.

O nível de 50 pontos separa expansão e contração na comparação com o mês anterior. A leitura de setembro, portanto, indica crescimento, mas por margem estreita. O índice de produção subiu 1,3 ponto, para 51,7, enquanto o de novos pedidos ficou em 50,5, ligeiramente abaixo dos 50,6 de agosto. As encomendas para exportação recuaram de 50,1 para 50,0, exatamente na linha de estabilidade.

Os números por porte reforçam a diferença de ritmo. Grandes fabricantes permaneceram em expansão, com PMI de 50,6. Entre empresas médias, o indicador melhorou para 49,7, e entre pequenas, para 48,9. Embora ambos tenham avançado, continuaram abaixo do nível que sinaliza crescimento. O índice de emprego industrial caiu para 48,4, mostrando que a melhora da produção ainda não se converteu em expansão ampla das contratações.

O detalhamento setorial foi mais favorável para segmentos estratégicos. A manufatura de alta tecnologia registrou PMI de 52,5, a produção de equipamentos marcou 51,0 e os bens de consumo, 50,7. Em sentido contrário, o conjunto de indústrias de alto consumo de energia permaneceu em contração, com 48,0. Para fornecedores brasileiros, a composição importa tanto quanto o número principal: uma recuperação liderada por tecnologia e equipamentos não produz automaticamente a mesma demanda por todas as matérias-primas.

Também houve pressão de custos. O índice de preços de compra de matérias-primas subiu para 60,8 e o de preços na saída das fábricas alcançou 54,0. A autoridade estatística associou o movimento à alta recente de commodities internacionais e ao aumento da procura em alguns setores, com destaque para cadeias ligadas a petróleo, carvão e produtos químicos. A elevação pode aliviar margens comprimidas em determinados ramos, mas também aumenta o risco de repasse de custos.

Fora das fábricas, o PMI não manufatureiro avançou de 49,0 para 50,2. Serviços e construção voltaram ao terreno positivo, mas o índice de novos pedidos do conjunto ficou em 46,5. Serviços financeiros, telecomunicações e seguros operaram em níveis mais fortes, enquanto atividades imobiliárias e de mercado de capitais permaneceram abaixo da linha de 50. O PMI composto de produção chegou a 50,7.

A Associated Press confirmou a melhora do índice oficial e destacou que uma pesquisa privada, mais exposta a exportadores, subiu de 51,5 para 52,1 em setembro. Ao mesmo tempo, a agência observou que a demanda doméstica e o investimento continuam pressionados pela fragilidade do setor imobiliário. Essa combinação recomenda cautela na interpretação do dado: a economia ganhou tração no fim do terceiro trimestre, mas não eliminou seus desequilíbrios.

Para o Brasil, o retorno do PMI ao campo positivo é um sinal construtivo para empresas ligadas ao comércio com a China, principal destino das exportações brasileiras. Ainda assim, decisões sobre estoques, preços e investimentos não devem depender de um único mês. A sustentação dessa melhora exigirá novos pedidos mais fortes, recuperação das pequenas e médias empresas e maior estabilidade no consumo e no mercado imobiliário chinês.

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