Comércio exterior da China cresce e amplia efeitos na economia global

Com 45,47 trilhões de yuans em 2025, país reforça exportações de alta tecnologia, amplia importações e aposta em abertura para sustentar cadeias globais.

(Foto: Reprodução / Yang Suping / Xinhua)

O comércio exterior da China voltou a ganhar tração e fechou 2025 com 45,47 trilhões de yuans em importações e exportações, segundo dados alfandegários citados pela agência Xinhua em 16 de janeiro de 2026. O volume, que ultrapassou sucessivamente os marcos de 40 trilhões e 45 trilhões de yuans nos últimos cinco anos, representa a nona expansão anual consecutiva desde 2017 e sinaliza um ciclo de fôlego em um ambiente internacional marcado por incerteza e inflação.

Mais do que o número total, a reportagem destaca mudanças na composição e nos beneficiários desse fluxo. Em 2025, as empresas com capital estrangeiro movimentaram 13,27 trilhões de yuans no comércio exterior, alta de 3,7% e sétimo trimestre seguido de crescimento, com peso relevante de setores de alta tecnologia, como semicondutores e autopeças. A Xinhua cita, como exemplos, a fábrica de chips da Intel em Chengdu e a Gigafábrica da Tesla em Xangai, ilustrando um modelo em que multinacionais produzem na China e abastecem mercados globais apoiadas por uma cadeia industrial ampla e integrada.

No consumo global, a agência ressalta que produtos “Made in China” — de painéis fotovoltaicos e veículos de nova energia a eletrodomésticos e eletrônicos — têm funcionado como amortecedor de custos em diferentes mercados. Um relatório do Conselho Empresarial Austrália-China, citado no texto, estima que famílias australianas teriam pago 4,2% a mais pela mesma cesta de bens entre 2022 e 2023 sem acesso às importações chinesas. No eixo climático, a Xinhua também aponta que exportações chinesas de veículos eletrificados e equipamentos fotovoltaicos ajudam a acelerar a transição verde e menciona que a revista Science classificou a onda de energia renovável como a “Revelação do Ano de 2025”, associando o avanço a escala produtiva e ganhos de custo.

Ao mesmo tempo, o texto reforça que Pequim busca ampliar importações e consolidar uma abertura mais “institucional”. Em 2025, as importações chinesas atingiram 18,48 trilhões de yuans, mantendo o país como o segundo maior mercado importador do mundo por 17 anos consecutivos; no comércio de serviços, dados do Ministério do Comércio citados pela Xinhua mostram déficit de 806,35 bilhões de yuans nos primeiros 11 meses de 2025, interpretado como reflexo de demanda interna por serviços de maior qualidade. No plano tarifário, a reportagem afirma que o nível geral caiu para 7,3% e que a China passou a oferecer tarifa zero em 100% das linhas tarifárias para todos os países menos desenvolvidos com relações diplomáticas com o país.

A agenda recente também inclui o Porto de Livre Comércio de Hainan, que iniciou em dezembro de 2025 operações alfandegárias especiais em toda a ilha, elevando para 74% a proporção de linhas de produtos isentas de tarifas no regime local, além de atrair projetos industriais — como uma base de montagem e centro de serviços da Siemens Energy em Danzhou, citada na reportagem. Para 2026–2030, período do 15º Plano Quinquenal, o ministro do Comércio Wang Wentao defendeu uma estratégia mais equilibrada entre exportações e importações, com iniciativas como a marca “Shop in China”, aperfeiçoamento do reembolso fiscal a turistas e fortalecimento de cidades como polos de consumo internacional.

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