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terça-feira - 03 novembro 2026 - 00:56
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China e EUA negociam nova trégua tarifária na Suécia em meio a tensões globais

Conversas caminham para prorrogação de 90 dias, enquanto Pequim amplia diálogos com Europa e reforça laços com países emergentes como o Brasil

(Foto: Reprodução)

As negociações entre China e Estados Unidos sobre tarifas comerciais seguem em curso nesta semana em Estocolmo, capital da Suécia. O encontro, que entrou em seu segundo dia nesta terça-feira (29), reúne representantes de alto escalão dos dois países e pode resultar em uma prorrogação de 90 dias da trégua tarifária firmada em maio, segundo o jornal chinês South China Morning Post.

O acordo temporário negociado anteriormente, com validade até 12 de agosto, já havia reduzido significativamente as tarifas impostas pela Casa Branca sobre produtos chineses, passando de 145% para 30%. Em contrapartida, Pequim recuou suas próprias tarifas de 125% para 10%. Apesar do progresso, o tom das reuniões na Suécia parece indicar um foco menos técnico e mais geopolítico: Washington pressiona Pequim por questões como a alegada sobreprodução industrial e as importações chinesas de petróleo da Rússia e do Irã.

A delegação norte-americana é liderada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante comercial Jamieson Greer. Do lado chinês, quem comanda os diálogos é o vice-primeiro-ministro He Lifeng. A conversa mais recente, de acordo com a Reuters, durou cinco horas — tempo que revela tanto o grau de complexidade quanto o esforço para evitar uma nova escalada no conflito econômico.

Estocolmo como palco neutro — e aproximação com Europa

Além das tratativas com os EUA, He Lifeng aproveitou sua estadia em Estocolmo para se encontrar com o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson. O encontro marca os 75 anos de relações diplomáticas entre China e Suécia — as mais antigas entre a China e qualquer país nórdico. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o premiê sueco sinalizou interesse em estreitar os laços econômicos e comerciais com Pequim, num momento em que a União Europeia busca equilibrar sua posição entre as duas superpotências.

A escolha da Suécia como sede das conversas entre China e EUA também é simbólica. Como país historicamente neutro e com longa tradição diplomática, Estocolmo oferece um terreno menos tenso para diálogos sensíveis — e reflete uma tentativa de manter a diplomacia ativa em meio ao endurecimento de posições globais.

Brasil e o tabuleiro internacional: entre pragmatismo e oportunidades

Para o Brasil, que mantém forte relação com ambos os países, o atual contexto representa um cenário de riscos e possibilidades. A trégua em discussão pode beneficiar exportadores brasileiros indiretamente, ao aliviar pressões nas cadeias de suprimento globais e abrir espaço para acordos bilaterais mais estáveis. Além disso, a China tem reiterado sua disposição em fortalecer parcerias com países do Sul Global, especialmente após as recentes ameaças protecionistas do ex-presidente Donald Trump.

Em meio à reorganização do comércio mundial, o Brasil pode consolidar uma posição estratégica ao manter sua política externa independente e pragmática. A aposta em uma integração produtiva com a China — por meio de investimentos em energia, infraestrutura e agricultura — não significa afastar-se de outras potências, mas sim diversificar riscos e oportunidades.

Se confirmada, a prorrogação da trégua tarifária entre China e Estados Unidos poderá representar uma pausa bem-vinda na escalada de tensões. Mas, ao mesmo tempo, o avanço dessas negociações ressalta a importância de uma ordem internacional mais equilibrada — onde países emergentes como o Brasil possam ter voz ativa e papel protagonista na construção de uma nova governança global.