A capital da China viveu, nos últimos dias, uma das piores tragédias climáticas da última década. Fortes tempestades castigaram Pequim e regiões próximas, provocando inundações severas, deslizamentos de terra e a morte de pelo menos 30 pessoas, segundo informações oficiais. Mais de 130 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, com bairros inteiros isolados e infraestrutura severamente danificada.
A enxurrada foi resultado de chuvas concentradas e intensas que atingiram níveis históricos, especialmente nos distritos de Mentougou e Fangshan, localizados nas áreas montanhosas do oeste de Pequim. Imagens que circularam nas redes e veículos de imprensa mostram ruas completamente alagadas, carros arrastados por correntes violentas e equipes de resgate tentando acessar áreas devastadas por lama e entulhos.
A cidade, que abriga mais de 20 milhões de habitantes, entrou em estado de alerta máximo, com o Exército e equipes de emergência mobilizados em tempo integral. Autoridades chinesas informaram que escolas foram fechadas, transporte público interrompido em diversas regiões e centenas de estradas interditadas.
Brasil expressa solidariedade e reforça diálogo sobre mudanças climáticas
A tragédia em Pequim acende um alerta global sobre os impactos crescentes das mudanças climáticas, especialmente em grandes centros urbanos. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que também convivem com eventos extremos como alagamentos e deslizamentos, acompanham com atenção o ocorrido na capital chinesa.
Em nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro expressou solidariedade às famílias das vítimas e ao povo chinês, reiterando o compromisso de ampliar a cooperação bilateral em áreas como gestão de riscos, tecnologia ambiental e desenvolvimento urbano resiliente. A China, por sua vez, tem sido uma parceira importante em iniciativas de infraestrutura sustentável e sistemas de monitoramento climático em várias partes do mundo, incluindo a América Latina.
Além da resposta emergencial, o governo chinês já discute medidas estruturais para mitigar desastres futuros, como o fortalecimento da drenagem urbana, modernização de alertas meteorológicos e reforço de obras de contenção em áreas de risco. A catástrofe também impulsionou o debate interno sobre adaptação urbana às mudanças climáticas, que vêm se intensificando em toda a Ásia nos últimos anos.
Cooperação e lições mútuas em tempos de crise
Para especialistas brasileiros, o episódio reforça a importância do diálogo entre países do Sul Global na formulação de políticas públicas para enfrentar os novos desafios climáticos. A China, com sua expertise em engenharia de larga escala, e o Brasil, com sua experiência em gestão de bacias hidrográficas e ações comunitárias de prevenção, têm potencial para compartilhar soluções e desenvolver tecnologias conjuntas.
Em meio à dor, a tragédia em Pequim lembra que a crise climática não conhece fronteiras. E num mundo cada vez mais interdependente, cooperação e solidariedade não são apenas gestos simbólicos — são ferramentas concretas para salvar vidas e construir um futuro mais seguro.