COTAÇÕESCNY/BRL 0,7588USD/BRL 5,1220Atualização automática
(function(){if(window.innerWidth<1200)return;var slot=document.querySelector('.abc-fx-topbar-slot');if(slot&&slot.parentElement)slot.parentElement.classList.add('abc-logo-row');slot.parentElement.style.setProperty('height','130px','important');slot.parentElement.style.setProperty('min-height','130px','important');slot.parentElement.style.setProperty('box-sizing','border-box','important');fetch('/category/bilateral-pt/?abc_fx_source=1',{credentials:'same-origin'}).then(function(r){return r.text()}).then(function(t){var d=new DOMParser().parseFromString(t,'text/html');var b=Array.prototype.slice.call(d.querySelectorAll('.td_block_exchange')).filter(function(x){return x.querySelector('.td-rate-cny')})[0];if(!b)return;var c=b.querySelector('.td-rate-cny'),u=b.querySelector('.td-rate-usd');var cv=c&&c.nextElementSibling?c.nextElementSibling.textContent.trim():'';var uv=u&&u.nextElementSibling?u.nextElementSibling.textContent.trim():'';if(cv)document.querySelector('[data-abc-fx="cny"]').textContent=cv;if(uv)document.querySelector('[data-abc-fx="usd"]').textContent=uv}).catch(function(){})})();
18.2 C
São Paulo
sexta-feira - 30 outubro 2026 - 09:24
Início Capa ONU cortar microfone de Lula é “limitação imposta a vozes que desafiam...

ONU cortar microfone de Lula é “limitação imposta a vozes que desafiam o status quo”, diz professor

Lula em discurso na Cúpula do Futuro, evento da ONU. Créditos: Ricardo Stuckert

Antes de fazer o discurso de abertura do debate principal da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou, no domingo (22), na Cúpula do Futuro, encontro convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e que aconteceu no mesmo plenário do tradicional evento anual que reúne chefes de Estado do mundo todo. Na ocasião, Lula teve o microfone cortado no trecho final de sua fala. 

Em um dos pontos mais fortes de seu discurso, Lula fez uma crítica enfática às instituições de governança global, incluindo a própria ONU. O presidente brasileiro havia acabado de disparar contra a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança da ONU quando teve seu microfone cortado – isto é, o áudio amplificado de sua voz para a plateia foi desligado. 

“A maioria dos órgãos carece de autoridade e meios de implementação para fazer cumprir suas decisões. A Assembleia Geral perdeu sua vitalidade e o Conselho Econômico e Social foi esvaziado. A legitimidade do Conselho de Segurança encolhe a cada vez que ele aplica duplos padrões ou se omite diante de atrocidades. As instituições de Bretton Woods desconsideram as prioridades e as necessidades do mundo em desenvolvimento”, dizia Lula pouco antes do corte. 

Na sequência, é possível ouvir a voz de um mestre de cerimônias agradecendo a Lula por seu pronunciamento. O presidente, entretanto, seguiu falando, mesmo com o microfone desligado. 

“O Sul Global não está representado de forma condizente com seu atual peso político, econômico e demográfico. A Carta da ONU não faz referência à promoção do desenvolvimento sustentável. Precisamos de coragem e vontade política para mudar, criando hoje o amanhã que queremos. O melhor legado que podemos deixar às gerações futuras é uma governança capaz de responder de forma efetiva aos desafios que persistem e aos que surgirão. Muito obrigado”, finalizou Lula. 

A organização do evento cortou o microfone de Lula para seguir o protocolo, que prevê um discurso com duração máxima de 5 minutos para cada orador.

Apesar da justificativa oficial, o fato “teve um forte simbolismo”. A opinião é de Fernando Brancoli, professor Geopolítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em entrevista à Fórum, Brancoli avalia que o “incidente” pode ter mais de uma interpretação. 

“O corte do microfone de Lula durante seu discurso na Cúpula pelo Futuro, enquanto criticava a ONU e defendia reformas globais, teve um forte simbolismo. Embora o motivo oficial tenha sido a superação do tempo permitido, o incidente pode ser interpretado como uma demonstração das limitações impostas a vozes que desafiam o status quo”, analisa o professor.

“Para muitos, isso reforça a percepção de que as estruturas internacionais de governança não estão dispostas a ouvir críticas ou sugestões de reforma que venham de países fora do eixo tradicional de poder”, prossegue o especialista. 

Brancoli pondera, contudo, que “é importante reconhecer que o episódio também pode ser visto como uma falha de Lula em adaptar seu discurso às limitações formais do evento, o que pode minar a eficácia de sua mensagem”. 

“A capacidade de Lula e do Brasil de influenciar mudanças no sistema internacional dependerá, em parte, da habilidade de comunicar suas críticas de maneira estratégica e eficaz, respeitando as normas diplomáticas enquanto promove uma agenda de transformação”, pontua.