Zhang Lina renova a técnica de frottage de Caozhou entre tradição e inovação

Herdeira da 22ª geração transforma o patrimônio imaterial em experiência acessível, amplia presença no cotidiano e aposta em novas mídias para levar a arte a mais públicos

(Foto: Reprodução / Heze)

Recentemente, no Centro de Intercâmbio Cultural Cao Zhou Mi Jing, localizado no parque Jiangbei V Valley, na Nova Área de Luxi, em Heze, uma oficina impregnada pelo aroma de papel e tinta serviu de cenário para uma demonstração paciente e precisa. Zhang Lina, herdeira da 22ª geração da técnica de frottage de Caozhou, segurava um “sachê de entintagem” e batia repetidamente, aplicando com cuidado a tinta sobre uma laje de pedra azul. No ritmo de seus movimentos habilidosos, uma impressão que une textura histórica e senso estético ganhava forma no papel.

Reconhecida como um projeto representativo de patrimônio cultural imaterial em nível distrital, a técnica de frottage de Caozhou — uma forma de “copiar” a história com papel e tinta — vem sendo preservada e, ao mesmo tempo, atualizada graças à dedicação e à capacidade de inovação de Zhang Lina. Seu trabalho dá continuidade ao legado familiar e ajuda a revitalizar essa arte tradicional em contextos contemporâneos.

“Cada batida, cada camada de tinta, é como um diálogo com a história”, afirma Zhang Lina, com voz marcada pela reverência. Crescida nesse ambiente, ela compreende o peso cultural do ofício de “guardar a memória com papel xuan”. Hoje, domina com segurança técnicas de frottage em baixo-relevo, alto-relevo e em superfícies irregulares, além de uma das modalidades mais complexas, o frottage tridimensional completo. À frente de sua equipe, ela ajuda a “ressuscitar”, no papel xuan, caracteres e padrões de antigas inscrições em pedra e metal.

Na oficina, mais de mil lajes de pedra azul funcionam como um verdadeiro “arquivo histórico” do frottage de Caozhou. Elas reúnem mais de setecentos padrões, incluindo peônias e o “Mapa dos Cem Caracteres ‘Xi’ (felicidade)”. Entre as criações recentes, a série de produtos culturais “Caiyun Mudan” (Peônia com Charme Colorido) integra elementos da peônia de Heze à técnica do frottage, tornando-se um exemplo concreto de como a tradição pode dialogar com a identidade cultural regional.

Para Zhang Lina, “o patrimônio imaterial não pode ficar preso apenas à casca da tradição; precisa estar ao alcance das pessoas comuns”. Com esse objetivo, ela simplificou o processo tradicional em sete etapas fáceis de aprender, permitindo que até uma criança de seis anos, com orientação, consiga produzir uma impressão simples. Ao reduzir a barreira de entrada, o frottage deixou de ser uma “habilidade especializada” para se tornar uma “experiência compartilhada”: casais produzem certificados de casamento personalizados, empresas vivenciam a técnica em atividades de integração, e moradores encomendam impressões com caligrafia ou retratos, incorporando essa arte antiga ao cotidiano.

O modelo de operação “centrado na experiência e complementado pela personalização” transformou a oficina em uma espécie de “janela do patrimônio imaterial” da Nova Área de Luxi. Até agora, dezenas de milhares de visitantes já participaram de atividades e se tornaram, nas palavras do projeto, “embaixadores da experiência do frottage”, sentindo “a temperatura da história” entre batidas e pinceladas. Zhang Lina afirma que a escolha do parque Jiangbei V Valley se deve ao ambiente de concentração cultural do local e à expectativa de, junto a outros detentores de patrimônio imaterial, aproximar ainda mais essas técnicas da vida cotidiana.

Diante da onda de digitalização, Zhang Lina também busca novas formas de difusão. Em cooperação com universidades de Jinan e Qingdao, estudantes da área de comércio eletrônico participam de atividades práticas, realizando transmissões ao vivo e produzindo vídeos curtos para explicar a técnica e ampliar sua visibilidade nas redes. Paralelamente, ela leva o frottage a aulas públicas em escolas de ensino fundamental e médio, fazendo com que a tradição saia da oficina e se integre a diferentes ambientes da sociedade contemporânea.

Do som ritmado do batimento sobre a pedra azul às explicações em transmissões ao vivo, passando pelos olhares curiosos em aulas abertas, Zhang Lina vem conduzindo o frottage de Caozhou da simples “transmissão de uma habilidade” para um processo de fortalecimento cultural. Nesse movimento, o parque Jiangbei V Valley se consolida como um elo entre heranças individuais e desenvolvimento regional, contribuindo para desenhar um novo panorama de “proteção, transmissão, inovação e desenvolvimento” do patrimônio imaterial na Nova Área de Luxi.

Para o futuro, Zhang Lina mantém expectativas altas. Segundo ela, o Centro de Intercâmbio Cultural Cao Zhou Mi Jing pretende criar uma “Zona de Exposição Conjunta de Patrimônio Imaterial”, convidando mais detentores de técnicas tradicionais a se estabelecerem e interagirem. “Espero que, tendo o frottage como elo, este lugar se torne um ‘posto de abastecimento’ para a transmissão do patrimônio imaterial na Nova Área de Luxi, permitindo que mais técnicas antigas floresçam por meio de um desenvolvimento colaborativo”, conclui.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui