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terça-feira - 14 julho 2026 - 16:45
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State Grid inicia construção de megaprojeto de transmissão no Nordeste e amplia presença chinesa no setor energético brasileiro

Linha de ultra-alta tensão vai levar energia renovável do Nordeste aos grandes centros do país e deve entrar em operação até 2029.

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Foto: Reprodução

A estatal chinesa State Grid deu início às obras do maior projeto de concessão de transmissão de energia já realizado no Brasil em termos de volume de investimentos. Localizado no Nordeste, o empreendimento utilizará tecnologia de corrente contínua de ultra-alta tensão (UHV, na sigla em inglês) para transportar energia produzida em regiões com forte potencial renovável até os principais centros consumidores do Centro e do Leste do país.

A nova linha atravessará diversos estados brasileiros e contará ainda com duas estações conversoras e estruturas de apoio. O sistema terá capacidade nominal para transmitir até 5 milhões de quilowatts, contribuindo para reduzir os gargalos existentes no escoamento da produção energética nordestina. A expectativa da empresa é que a operação plena do projeto comece em 2029.

O empreendimento será financiado, construído e operado pela subsidiária brasileira da State Grid por meio de uma concessão com duração de 30 anos. Trata-se do terceiro projeto internacional de transmissão em ultra-alta tensão desenvolvido pela companhia fora da China, sucedendo as duas fases da linha associada à usina hidrelétrica de Belo Monte, também implantadas em território brasileiro.

A tecnologia UHV, amplamente desenvolvida pela China nas últimas décadas, permite transportar grandes volumes de energia por longas distâncias com menores perdas operacionais. Linhas desse tipo operam com tensões superiores a 800 quilovolts em corrente contínua ou a 1.000 quilovolts em corrente alternada, sendo consideradas estratégicas para integrar sistemas energéticos de grande escala.

Segundo a State Grid, a nova infraestrutura desempenhará um papel central no processo de modernização da matriz energética brasileira ao facilitar o aproveitamento da produção de fontes renováveis no Nordeste, especialmente a energia eólica e solar. A empresa estima que o sistema permitirá o consumo anual de mais de 20 bilhões de quilowatts-hora de energia limpa, reduzindo em aproximadamente 6,84 milhões de toneladas as emissões de dióxido de carbono a cada ano.

Para especialistas chineses do setor energético, o projeto representa não apenas um avanço para a infraestrutura brasileira, mas também um marco na internacionalização da tecnologia desenvolvida pela China. Em entrevista ao jornal China Daily, o engenheiro Ye Xiaoning, do Instituto de Pesquisa Energética da State Grid, afirmou que a iniciativa contribuirá para ampliar a presença global dos padrões tecnológicos chineses na área de transmissão elétrica e poderá abrir novos mercados para fabricantes e empresas de engenharia do país asiático.

A construção da linha também reforça a crescente participação chinesa em setores estratégicos da economia brasileira. Nos últimos anos, empresas da China ampliaram investimentos em áreas como energia, logística, telecomunicações e infraestrutura digital, acompanhando a expansão das relações econômicas entre os dois países.

Além de abastecer importantes centros urbanos brasileiros, a chamada “superestrada da energia” deverá impulsionar o desenvolvimento econômico regional e acelerar a transição do país para uma matriz energética de baixo carbono. O projeto consolida o Brasil como um dos principais destinos internacionais para investimentos chineses em infraestrutura e evidencia o papel crescente da cooperação bilateral no setor energético.