Rio de Janeiro cria programa municipal de mandarim e cultura chinesa nas escolas

Lei sancionada amplia ensino da língua e atividades culturais em centros públicos, fortalecendo laços culturais e possíveis vínculos econômicos com a China

(Foto: Reprodução)

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou e o prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei nº 9.246, de 6 de janeiro de 2026, que institui o Programa Municipal de Mandarim e Cultura Chinesa no município. A política pública visa promover o ensino da língua mandarim e divulgar a cultura chinesa para estudantes da rede pública, frequentadores de espaços comunitários e moradores, com atividades presenciais, híbridas ou online, conectando a cidade a tendências de educação global e relações interculturais.

A iniciativa, de autoria da vereadora Luciana Novaes, foi justificada pela necessidade de aproximar os jovens e a população carioca de uma agenda estratégica ligada a cooperação internacional e formação bilíngue, em um momento em que as relações entre Brasil e China têm impacto crescente em esferas culturais, educacionais e econômicas. A lei estabelece diretrizes para que o ensino do mandarim seja estimulado nas escolas municipais e que atividades culturais — como história, filosofia, culinária, música e literatura chinesas — sejam integradas aos currículos ou oferecidos em espaços culturais públicos.

Entre os objetivos do programa municipal estão o incentivo ao intercâmbio cultural entre estudantes cariocas e da República Popular da China, a preparação de estudantes e profissionais para atuar em áreas relacionadas às relações Brasil–China, e a valorização da presença e contribuição da comunidade chinesa no Rio de Janeiro, que integra a composição plural da cidade. A lei também prevê estímulos ao turismo cultural com cidades chinesas e a criação de ambientes de convivência cultural, como clubes de caligrafia, xadrez e artes marciais tradicionais.

Para operacionalizar o programa, o texto legal autoriza a formação de parcerias com institutos culturais chineses, universidades e representações consulares para apoio técnico e intercâmbio, além da possibilidade de cooperação com empresas privadas e organizações da sociedade civil. Uma dessas parcerias frequentemente mobilizadas em iniciativas de língua e cultura chinesa no Brasil tem sido o Instituto Confúcio, presente em universidades brasileiras e envolvido em atividades de ensino do idioma e promoção cultural.

A inclusão do mandarim no contexto educacional carioca segue uma tendência observada em outras partes do estado: por exemplo, em 2025, a rede pública de Maricá (RJ) introduziu o ensino do idioma chinês em um programa trilíngue que atende alunos do ensino fundamental, ampliando a formação linguística e cultural dos estudantes. Essas experiências educacionais refletem, segundo especialistas, uma busca por maior competitividade no mercado global, já que a língua chinesa é uma das mais faladas no mundo e está associada a relações comerciais e culturais com a China.

Autoridades municipais afirmam que o novo programa poderá contribuir para ampliar oportunidades educacionais e culturais na cidade, preparando estudantes para interações internacionais e possivelmente impulsionando intercâmbios acadêmicos e profissionais. Observadores em educação e relações internacionais veem essa política como um componente de uma estratégia mais ampla de integração cultural e de promoção de habilidades que alinham o capital humano carioca às demandas de um mundo cada vez mais interconectado, especialmente em relação a um parceiro econômico de peso como a China.

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