Programa China–Brasil leva mecanização à agricultura familiar e amplia cooperação técnica

Iniciativa com polos em Apodi e Brasília combina máquinas chinesas, treinamento prático e pesquisa aplicada; edital federal de R$ 60 milhões mira trator popular

(Foto: Reprodução / Tang Xu)

A cooperação sino-brasileira em mecanização da agricultura familiar ganhou nova tração com o programa “Residências de Ciência e Tecnologia China–Brasil sobre Mecanização Agrícola Familiar” (RCT-MAF). A iniciativa opera com dois polos — um em Apodi (Rio Grande do Norte) e outro em Brasília — e prevê demonstrações e capacitações em campo com máquinas agrícolas chinesas, incluindo atividades na Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília (UnB).

A proposta parte de um diagnóstico recorrente no setor: a mecanização da agricultura familiar no Brasil ainda é considerada baixa e desigual entre regiões. Reportagens e notas institucionais associadas ao programa citam o patamar nacional de cerca de 12% e apontam uma demanda urgente por tecnologia apropriada, com foco em equipamentos menores e adequados à realidade de pequenos produtores.

No terreno, o modelo é de “aprender fazendo”. Em novembro de 2025, por exemplo, a UnB informou que promoveu capacitação e testagem de maquinários de origem chinesa na Fazenda Água Limpa, reunindo agricultores assentados do Distrito Federal e de Goiás e contando com participação de estudantes da Universidade Agrícola da China, além de parceiros brasileiros e representantes de empresas. Segundo a universidade, a ação integra um esforço de cooperação internacional em ciência e tecnologia voltado à tecnificação da agricultura familiar.

Pelo balanço divulgado pela Xinhua, em um ano de operação o programa acumulou a capacitação de mais de 250 agricultores e impactou cerca de 1.000 famílias, com aplicação do maquinário em quase 1.000 hectares. A reportagem também afirma que, com a chegada de um contêiner em abril de 2025, o total de máquinas agrícolas chinesas mobilizadas pelo RCT-MAF teria alcançado 62 unidades e que a atuação se expandiu para diferentes unidades federativas, acompanhada por um movimento de “adaptação local” — produtores deixando de ser apenas receptores e passando a contribuir com feedback técnico sobre operação e adequações.

O programa avança em paralelo a políticas públicas brasileiras voltadas à mecanização. Em 16 de dezembro de 2025, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou um edital de R$ 60 milhões para desenvolver um trator de pequeno porte e baixo custo, além de implementos compatíveis, iniciativa associada a um pacote maior de apoio à agricultura familiar. Na prática, esse tipo de chamada tende a aproximar dois caminhos que podem ser complementares: a experimentação em campo com equipamentos já disponíveis (incluindo os chineses, testados e ajustados ao uso real) e a construção de soluções com maior potencial de escala e produção local.

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