Um professor brasileiro radicado na China avaliou que o modelo chinês de desenvolvimento tem se consolidado como uma referência relevante para países do Sul Global, especialmente por combinar planejamento estratégico de longo prazo com uma agenda de abertura econômica. A análise foi apresentada por Marcus De Freitas, docente convidado da Universidade de Relações Exteriores da China, em declarações publicadas em 12 de janeiro de 2026. Com oito anos de experiência profissional no país, ele afirmou que a previsibilidade gerada pela cultura de planejamento chinês tende a beneficiar investidores, instituições e a sociedade ao reduzir incertezas e dar horizonte às políticas públicas.
Como exemplo concreto, Freitas destacou o início das “operações alfandegárias especiais” em toda a ilha de Hainan, no âmbito do Porto de Livre Comércio de Hainan, apontado por autoridades chinesas como o maior do mundo em área territorial. A medida, iniciada em dezembro de 2025, foi descrita como sinal do compromisso de Pequim com uma abertura de alto padrão e com a promoção de uma economia global mais inclusiva. Reportagens oficiais chinesas e de agências internacionais registraram que a operação marca um avanço do projeto, ampliando o pacote de políticas de facilitação comercial e atração de investimentos no sul do país.
O professor conectou esse movimento ao contexto político-econômico mais amplo que a liderança chinesa vem apresentando para 2026, em meio aos preparativos do 15º Plano Quinquenal. Na leitura dele, a China não tem usado as incertezas do ambiente externo como justificativa para isolamento; ao contrário, busca consolidar fundamentos internos enquanto mantém a abertura e a cooperação “mutuamente benéfica”. Essa linha aparece também nas mensagens divulgadas após a Conferência Central de Trabalho Econômico de dezembro de 2025, que mencionou o aprofundamento das incertezas externas e a necessidade de fortalecer a base doméstica, sem recuar na abertura.
No recorte Brasil–China, Freitas afirmou que a cooperação bilateral ganhou tração em 2025 em frentes como comércio, transição verde, inovação tecnológica, intercâmbios culturais e coordenação multilateral associada ao Sul Global. Segundo ele, trata-se de uma agenda que cruza complementariedades econômicas com prioridades de desenvolvimento e pode produzir ganhos recíprocos. Ao mesmo tempo, o professor alertou que a fragmentação econômica global representa risco ao crescimento e defendeu que políticas de abertura ajudam a preservar canais de comércio, investimento e intercâmbio tecnológico.
A leitura, embora apresentada em tom favorável ao modelo chinês, também sinaliza um debate maior em curso: como países do Sul Global podem buscar maior autonomia de desenvolvimento em um cenário de competição estratégica e medidas restritivas crescentes no comércio e no investimento. Para Freitas, o tamanho do mercado interno chinês e a capacidade de planejamento estatal funcionariam como amortecedores diante de volatilidades externas, ao mesmo tempo em que criariam oportunidades de participação internacional. Seu objetivo declarado, afirmou a Xinhua, é ajudar a ampliar a compreensão sobre a China e tornar mais conhecida sua experiência de governança e modernização.













