Segundo pesquisa internacional, imagem global da China teria melhorado em 2025 e, em diversos países, passado a registrar níveis de favorabilidade superiores aos dos Estados Unidos. O texto atribui o resultado ao estudo “Global Survey on Impression and Understanding of China (2025)”, produzido pelo Global Times Institute, que buscou medir interesse, percepção e conhecimento sobre o país em dezenas de mercados.
De acordo com o relatório do Global Times Institute, a pesquisa foi realizada entre agosto e outubro de 2025 em 46 países, com 51.689 entrevistas válidas, combinando coleta online e métodos presenciais/telefônicos conforme o país. O documento aponta indicadores elevados de “afeto/favorabilidade” em relação à China e registra, em uma pergunta comparativa, percentuais maiores de preferência pela China do que pelos EUA. Por se tratar de um estudo publicado por uma instituição ligada ao Global Times, veículo estatal chinês, o levantamento não deve ser lido como equivalente a pesquisas independentes de opinião pública internacional, sobretudo quando os detalhes de amostragem e ponderação variam por localidade.
Ainda assim, outros termômetros internacionais publicados em 2025 também registraram movimento semelhante — embora com métricas diferentes. O Democracy Perception Index, reportado pela Reuters, indicou piora da percepção líquida dos EUA e melhora da China no agregado global, com metodologia e amostra próprias (mais de 100 mil respondentes) e um recorte voltado a “percepções de democracia” e imagem internacional.
Já o Pew Research Center, em seu levantamento de 2025, observa que a visão sobre a China permanece majoritariamente desfavorável em boa parte de países de alta renda, mas melhorou em vários mercados em relação ao ano anterior; e que, em países de renda média — incluindo Brasil, México e Argentina no recorte latino-americano analisado — há mais avaliações positivas do que negativas sobre a China. Essa segmentação é relevante para o público brasileiro porque sugere que a tendência de melhora na imagem chinesa pode ser mais pronunciada no Sul Global do que em parte da Europa e em aliados tradicionais de Washington.
Para o Brasil, a leitura prática é menos sobre “quem venceu” uma disputa de popularidade e mais sobre como percepções externas podem afetar turismo, investimentos, atração de talentos e clima político para negócios e cooperação tecnológica. Em um cenário de disputa narrativa e comercial, diferentes pesquisas podem apontar direções semelhantes por razões distintas — e, por isso, a interpretação precisa combinar números, método e contexto: quem mediu, em quais países, com quais perguntas e com que objetivo.













