Milei “comunista” mendiga na China, enquanto adere ao Ocidente

Reprise de Jânio Quadros no país vizinho

(Foto: Ministério das Relações Exteriores da Argentina)

Pressionado pela economia, o presidente argentino Javier Milei aderiu à política externa que o Brasil viveu quando Jânio Quadros estava no poder: caminhar em direções opostas.

Conservador, Jânio recebeu e condecorou Che Guevara em Brasília.

Milei adotou a farda militar em seus encontros com a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson, quando anunciou um porto binacional de acesso à Antártida na Patagônia. 

Voltou a aparecer fardado ao dar boas vindas a um navio da Guarda Costeira dos EUA, que participa de um convênio para treinar argentinos no combate à pesca ilegal.

Seu governo pediu para se tornar parceiro privilegiado da Organização do Tratado do Atlântico Norte e quer acelerar a adesão à OCDE, a organização dos países ricos ocidentais.

Milei agrediu verbalmente a China e os líderes de países vizinhos como o Brasil, a Colômbia e o México, durante a campanha eleitoral e mesmo depois de empossado.

Sua chanceler Diana Mondino recebeu o representante comercial de Taiwan em Buenos Aires, numa clara desfeita aos chineses.

CARTA A LULA

Premido pelas circunstâncias econômicas, no entanto, Milei a “privatizou o comunismo” de seu governo à chanceler Mondino.

Ela esteve no Brasil e trouxe uma carta de Milei ao presidente Lula, cujo conteúdo não foi revelado.

Lula, em entrevista coletiva, disse que não tinha lido a carta.

Em seguida, Mondino foi à China. Em entrevista, disse que conta com investimentos chineses para construir pontes, rodovias e outras obras de infraestrutura, incluídas na Nova Rota da Seda, à qual Buenos Aires aderiu.

Pouco antes da viagem, o governo argentino concluiu uma “visita técnica” ao observatório astronômico binacional construído pela China e repeliu as teorias conspiratórias dos Estados Unidos de que se trata de uma instalação militar.

O assopra, neste caso, tem um objetivo claro: descongelar dinheiro chinês.

No ano passado, a Argentina usou U$ 5 bi dos chamados swaps cambiais com a China para pagar exportações.

Em dezembro, a China congelou outros U$ 6,5 bi de um pacote que totaliza U$ 18 bi, negociados pelos peronistas que antecederam Milei.

O dinheiro é essencial para que a Argentina possa cumprir seus compromissos externos.

A página do Ministério das Relações Exteriores da Argentina registrou:

Deve-se notar que a China foi o terceiro principal destino das exportações argentinas. Em 2023, o país foi o principal comprador de carne bovina argentina (US$ 1,732 bilhão) e soja (US$ 950 milhões). Para 2024 estão previstas inúmeras atividades de promoção comercial na China, envolvendo empresas de diversos setores e regiões da Argentina. 

BRASIL COMO ALTERNATIVA

Recentemente, a China certificou dezenas de novos frigoríficos brasileiros, que poderiam ser alternativas à redução de compras na Argentina.

Por falta da renovação de um acordo binacional, a China retirou engenheiros das obras de duas hidrelétricas na Patagônia, que estão pela metade. Mondino também usou a visita para pedir a retomada das obras.

A página do ministério das Relações Exteriores também mencionou o encontro da chanceler com o presidente do Banco Popular da China. Dentre outras coisas, eles:

Discutiram os laços históricos entre ambos os Bancos Centrais, que começaram com a assinatura do primeiro swap há 25 anos; o compromisso da Argentina com a internacionalização do RMB [moeda chinesa] como moeda para pagamentos relacionados com o comércio.

Apesar de a Argentina ter recuado em sua adesão aos Brics, promover o renminbi/yuan em trocas comerciais, em detrimento do dólar, revela a nova face “comunista” do governo Milei.

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