O investimento mundial em tecnologias de transição energética — incluindo energias renováveis, redes elétricas, transporte eletrificado e infraestrutura de eletricidade — alcançou US$ 2,3 trilhões em 2025, um recorde histórico e avanço de cerca de 8% em relação ao ano anterior, segundo relatório da BloombergNEF (BNEF) divulgado no início de 2026.
Esse montante representa o maior volume já registrado globalmente na história da transição energética, apesar de um crescimento mais moderado em comparação com anos recentes, em que as taxas de expansão eram significativamente maiores. A transição energética engloba investimentos em fontes limpas como solar, eólica, veículos elétricos e modernização de redes, que atendem a uma demanda crescente por eletricidade eficiente e com menor impacto climático.
A região Ásia-Pacífico respondeu por quase metade dos investimentos globais em 2025, liderada pela China, que permaneceu no topo do ranking mundial em aportes, com cerca de US$ 800 bilhões destinados ao setor elétrico limpo e tecnologias relacionadas. A Europa também ampliou seus aportes para cerca de US$ 455 bilhões, refletindo políticas climáticas ambiciosas e esforços para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Nos Estados Unidos, o crescimento de investimentos em energia limpa foi mais moderado, atingindo cerca de US$ 378 bilhões, um aumento de aproximadamente 3,5% em relação a 2024, segundo o mesmo levantamento. A desaceleração do ritmo de crescimento tem sido associada a mudanças no ambiente regulatório e políticas públicas voltadas para setores tradicionais.
Os dados também revelam uma mudança estrutural no padrão mundial de investimentos: pela primeira vez desde 2020, houve uma redução nos recursos aplicados em combustíveis fósseis, especialmente em exploração e produção de petróleo e gás, e em geração térmica tradicional. Esse movimento sugere uma mudança de prioridades do mercado, embora ainda distante do nível necessário para alcançar metas climáticas como as previstas no Acordo de Paris.
Apesar do recorde histórico, especialistas alertam que o montante ainda é insuficiente para colocar o mundo na trajetória exigida para neutralidade de carbono até meados do século, o que demandaria investimentos anuais na ordem de mais de US$ 5 trilhões até o final da década. A desaceleração no crescimento pode refletir desafios econômicos, políticos e regulatórios enfrentados por diversos países, incluindo mudanças nas regras de incentivo a projetos limpos em grandes mercados.
O avanço global nos aportes evidencia, no entanto, o papel estratégico que países como a China e blocos como a União Europeia têm assumido na transição energética, com foco em tecnologias de energia renovável, veículos elétricos e modernização de infraestrutura, setores que devem continuar crescendo à medida que governos e empresas buscam reduzir emissões e aumentar a eficiência energética.













