Agência de Comunicação Brasil-China, 11 de junho — Estradas sinuosas serpenteiam pelas montanhas, enquanto vilarejos se espalham entre cânions e florestas. Em 11 de junho, os representantes que participavam da atividade conjunta de visita “Jornada dos Meios de Comunicação em Língua Chinesa no Exterior por Sichuan e Chongqing 2026 — Foco na Construção do Círculo Econômico de Duas Cidades da Região de Chengdu-Chongqing” visitaram o Grande Cânion de Bashan, no distrito de Xuanhan, cidade de Dazhou, província de Sichuan. Enquanto registravam as paisagens naturais e as experiências ligadas à cultura Ba, também observavam as transformações ocorridas na vida e no trabalho dos moradores locais graças ao desenvolvimento do turismo.
O Grande Cânion de Bashan está localizado na região de encontro entre Sichuan, Chongqing e Shaanxi. É um importante berço da cultura Ba e também a única área de concentração do povo Tujia na província de Sichuan. Com cobertura florestal superior a 80%, a região reúne cânions, picos montanhosos, cavernas, cachoeiras e diversas outras formações naturais, sendo conhecida como a “Terra Natal da Cultura Ba na China”, o “Museu Natural de Dobras Geológicas” e o “Banco Genético Biológico das Montanhas Daba”.

Entretanto, durante muito tempo, a abundância de recursos ecológicos da região não conseguiu ser convertida em vantagem econômica. Devido à localização remota e às dificuldades de acesso, a área do Grande Cânion de Bashan esteve entre as regiões mais pobres das Montanhas Qinba. Dados públicos indicam que, antes de 2014, a área central do cânion ainda concentrava mais de 90 mil pessoas registradas em situação de pobreza. A expressão “a ecologia mais bela, mas a vida mais pobre” descrevia fielmente os desafios enfrentados pela população local.
A mudança começou com a melhoria da infraestrutura de transporte. Segundo Yang Lei, responsável pela área de comunicação do Centro de Desenvolvimento Integrado de Cultura e Turismo de Dazhou, a construção da via circular interna conectou as aldeias da região, enquanto os novos acessos integraram o território à malha rodoviária expressa. Com isso, o tempo de deslocamento entre o Grande Cânion de Bashan e a sede do distrito de Xuanhan caiu de duas horas e meia para apenas uma hora.
“Antes, as pessoas de fora não conseguiam entrar, e os bons produtos daqui não conseguiam sair”, explicou Yang Lei. Com a melhoria das condições de transporte e o aperfeiçoamento da oferta turística, os moradores passaram a contar com novas oportunidades além da agricultura tradicional. Muitos abriram pousadas e restaurantes rurais, outros passaram a trabalhar nos serviços turísticos, integrar grupos de apresentações folclóricas ou comercializar produtos típicos e itens culturais.
Yang Lei destacou que, desde o início das operações turísticas, o Grande Cânion de Bashan contribuiu para a retirada estável da pobreza de mais de 90 mil pessoas distribuídas em 102 vilarejos. Além disso, o desenvolvimento do turismo impulsionou o aumento da renda de cerca de 460 mil habitantes de 21 municípios vizinhos.
Atualmente, a região conta com mais de 150 pousadas rurais, hotéis e estabelecimentos de hospedagem familiar, gerando mais de dois mil empregos diretos. Também foram desenvolvidos mais de vinte produtos culturais e turísticos característicos, incluindo bordados da etnia Ba, artesanato em palha Tujia e mel medicinal das montanhas Bashan, contribuindo para que a receita turística integrada ultrapassasse a marca de cem milhões de yuans.
Essa transformação de “paisagem” em “indústria” pode ser percebida de forma concreta pelos visitantes. Além de apreciar as belezas naturais, é possível tomar um café enquanto interage com funcionários caracterizados como antigos habitantes da cultura Ba, vivenciando tradições locais e observando como o turismo tem contribuído para ampliar a renda e melhorar a qualidade de vida da população.

As montanhas continuam as mesmas, mas as aldeias mudaram. Com o avanço contínuo da integração entre cultura e turismo, o Grande Cânion de Bashan vem conectando de forma cada vez mais estreita seus recursos ecológicos, seu patrimônio cultural e o desenvolvimento econômico da população local.












