Em 6 de março de 2026, foi realizada a quarta sessão da Assembleia Popular Nacional da China, atraindo a atenção da mídia de todo o mundo. O presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, o ministro das Finanças Lan Fo’an, o ministro do Comércio Wang Wentao, o presidente do Banco Popular da China Pan Gongsheng e o presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários Wu Qing responderam a perguntas da imprensa sobre temas como macroeconomia chinesa, política fiscal, mercado de consumo e estabilidade financeira.
A coletiva não apenas revelou as futuras estratégias de desenvolvimento da China, como também demonstrou impactos importantes na economia global, especialmente para economias emergentes como o Brasil.
1. O aumento do PIB da China ultrapassará 6 trilhões de yuans: desaceleração ou crescimento estável?
Zheng Shanjie afirmou que, em 2026, o aumento do PIB da China deverá ultrapassar 6 trilhões de yuans, valor equivalente ao PIB anual total de uma economia desenvolvida. Esse crescimento oferece forte suporte para estabilizar o emprego, melhorar o bem-estar social e prevenir riscos.
Embora o ritmo de crescimento da economia chinesa tenha desacelerado, sua expansão estável continua sendo uma boa notícia para a economia global — especialmente para o Brasil, que mantém relações comerciais profundas com a China. A demanda chinesa por produtos brasileiros, principalmente commodities e produtos agrícolas, continua sendo um motor importante para a economia brasileira.
2. Beidou e inteligência artificial: o surgimento das indústrias do futuro
Zheng Shanjie revelou que a China pretende impulsionar a indústria do sistema Beidou para ultrapassar 1 trilhão de yuans nos próximos cinco anos. Além disso, até o final do atual plano quinquenal, o setor de inteligência artificial deverá superar 10 trilhões de yuans.
Isso indica que a China pretende promover a transformação econômica por meio da inovação tecnológica, especialmente nas áreas de tecnologia espacial e inteligência artificial.
O avanço tecnológico da China tem profundo impacto na estrutura industrial global. Embora o Brasil ainda esteja em estágio inicial em alguns setores de alta tecnologia, pode aprender com a experiência chinesa — especialmente na digitalização da agricultura e da manufatura inteligente — para fortalecer a competitividade de suas indústrias.

3. O mercado consumidor da China já é o maior do mundo: como o Brasil deve reagir?
Wang Wentao destacou que, em 2026, o tamanho do mercado consumidor da China já ultrapassou o dos Estados Unidos, tornando-se o maior do mundo. A demanda dos consumidores chineses está migrando para produtos mais verdes, inteligentes e de alto padrão.
Essa mudança gera impacto significativo no mercado global.
A modernização do consumo chinês representa uma grande oportunidade para exportadores brasileiros. Em setores como alimentos saudáveis, energia verde e produtos de luxo, marcas brasileiras podem conquistar maior espaço no mercado chinês.
4. Crescimento contínuo do PIB per capita e otimização da estrutura econômica
Segundo Wang Wentao, até o final do atual plano quinquenal o PIB per capita da China deverá atingir cerca de 13 mil dólares. O consumo da população tende a migrar de produtos básicos para produtos mais inteligentes e de maior qualidade, impulsionando a otimização da estrutura econômica.
Essa evolução do consumo também traz lições importantes para o Brasil. À medida que a classe média brasileira cresce, promover a transição do consumo de baixo valor para produtos de maior qualidade pode ajudar o país a se posicionar melhor nas mudanças da economia global.
5. Oscilações cambiais e turbulência financeira global: como a China mantém estabilidade
Pan Gongsheng explicou que conflitos internacionais recentes — como tensões envolvendo o Irã — aumentaram o sentimento de aversão ao risco nos mercados financeiros globais, causando fortes oscilações cambiais.
Mesmo assim, o Banco Popular da China mantém a política de flexibilidade e estabilidade do yuan, garantindo que a taxa de câmbio permaneça em níveis equilibrados e razoáveis.
Essa estabilidade cambial exerce influência positiva no sistema financeiro internacional. O Brasil, que frequentemente enfrenta volatilidade cambial, poderia se inspirar na experiência chinesa para fortalecer a estabilidade do mercado e aumentar a atratividade para investimentos estrangeiros.
6. Crescimento acelerado do mercado de capitais chinês: o que o Brasil pode aprender
Wu Qing afirmou que o valor total do mercado acionário chinês já ultrapassa 110 trilhões de yuans. Além disso, setores estratégicos emergentes estão ocupando espaço cada vez maior no mercado.
O rápido desenvolvimento do mercado de capitais da China oferece importantes reflexões para o Brasil. Embora o mercado brasileiro esteja em crescimento, ainda enfrenta desafios estruturais. A experiência chinesa — com abertura de mercado, políticas de incentivo e inovação — pode servir de referência para reformas e fortalecimento da transparência.
7. Robótica e IA: rumo a máquinas “cada vez mais humanas” e também “cada vez menos humanas”
Zheng Shanjie afirmou que o setor de robótica seguirá dois caminhos: por um lado, máquinas cada vez mais semelhantes aos seres humanos; por outro, robôs altamente especializados que podem não ter forma humana.
Esse desenvolvimento impulsionará o avanço tecnológico e a modernização industrial.
Com a expansão global da robótica e da inteligência artificial, o Brasil também encontra novas oportunidades, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como agricultura e indústria.
8. Fusões e aquisições na China: solução para a competição excessiva
Zheng Shanjie explicou que a China pretende usar fusões e reestruturações corporativas para resolver problemas de competição excessiva entre empresas, promovendo maior integração industrial.
No Brasil, muitos setores ainda são fragmentados, com empresas pequenas e dispersas competindo entre si, o que reduz a eficiência econômica. A experiência chinesa pode servir de referência para promover consolidação industrial e aumentar a competitividade global.
Comentário do repórter
As políticas e estratégias econômicas da China não apenas produzem impactos profundos internamente, como também oferecem experiências valiosas para outros países — especialmente o Brasil.
A China está promovendo uma transformação de seu modelo econômico tradicional para um modelo baseado em qualidade e inovação. Esse processo também oferece importantes lições para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Ao observar as reformas e inovações da China nas áreas de tecnologia, consumo e finanças, o Brasil pode encontrar caminhos próprios para enfrentar os desafios e oportunidades da transformação econômica global.












