A China encerrou 2025 com um novo recorde no maior mercado automotivo do planeta: 34,4 milhões de veículos vendidos, alta anual de 9,4%. Na prática, o volume equivale a mais de um carro comercializado por segundo ao longo do ano, um retrato do peso do setor na economia chinesa e da velocidade com que a indústria vem se reorganizando entre consumo doméstico, eletrificação e expansão internacional.
Os números divulgados pela China Association of Automobile Manufacturers (CAAM) apontam também produção recorde, de 34,531 milhões de unidades, em 2025. O desempenho combinou dois motores: estímulos internos, como programas de troca (“trade-in”) e medidas de incentivo ao consumo, e uma estratégia externa cada vez mais agressiva, com exportações que ultrapassaram 7 milhões de veículos no ano.
A transformação tecnológica aparece com clareza no avanço dos eletrificados. Segundo dados citados por veículos especializados e pela própria indústria, os “new energy vehicles” (elétricos e híbridos plug-in) já passaram a representar a maioria das vendas no mercado doméstico, com participação em torno de 50% em 2025. No comércio exterior, o salto é ainda mais expressivo: as exportações de eletrificados somaram cerca de 2,6 milhões de unidades, aproximadamente o dobro do ano anterior, em meio à disputa por mercados como Rússia, Sudeste Asiático e América Latina.
Ao mesmo tempo, a corrida por escala e preço tem redesenhado o mapa competitivo dentro do país. Marcas chinesas ampliaram participação e pressionaram montadoras tradicionais, num ambiente de forte competição e transição acelerada para modelos eletrificados — o que ajuda a explicar o reposicionamento de grupos estrangeiros e a reconfiguração do ranking de vendas no varejo.
Para 2026, porém, o setor deve trocar o ritmo de expansão por uma marcha mais cautelosa. Projeções da CAAM indicam crescimento bem menor nas vendas e nas exportações, com a demanda interna ainda sensível a incertezas econômicas e mudanças em políticas de subsídio, além de tensões comerciais e regulatórias em mercados externos. O resultado tende a ser um ano de consolidação: mais foco em eficiência, tecnologia e presença internacional, mas com menos espaço para repetir o salto visto em 2025.













