China reafirma posição na disputa sobre Groenlândia e critica uso de “ameaça chinesa” como justificativa

Pequim diz não buscar competição com outras potências e alerta para dependência europeia dos Estados Unidos

(Foto: Reprodução / Ministro das Relações Exteriores Guo Jiakun)

O governo chinês afirmou nesta 21 de janeiro de 2026 que não busca competir por influência no Ocidente e não pretende disputar poder com outras nações no contexto das controvérsias em torno da Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca que tem despertado interesse dos Estados Unidos. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante entrevista coletiva em Pequim.

A posição oficial ocorre em meio às crescentes tensões provocadas por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou recentemente que Washington deveria buscar o controle da Groenlândia — motivação que tem perturbado membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e levado países europeus a reavaliar a tradicional dependência dos EUA para segurança no continente.

Em sua fala, Guo rejeitou as especulações de que a China estaria interessada em disputar influência global por meio da questão da Groenlândia, dizendo que Pequim “não tem intenção de competir por influência com nenhum país, nem jamais o faria”. Ele destacou que a China defende intercâmbios amistosos com todas as nações com base no respeito mútuo e igualdade, e que o país continua comprometido em ser uma força “positiva, estabilizadora e construtiva” nas relações internacionais.

Guo também afirmou que a China vê a atual controvérsia como um alerta para que países europeus reavaliem sua dependência em relação aos Estados Unidos como pilar de segurança tradicional, um ponto reforçado por editoriais publicados recentemente na mídia estatal chinesa. Esses comentários sugerem que a crise em torno de Greenland evidencia a necessidade de revisão das relações transatlânticas e de diversificação de parcerias estratégicas, incluindo cooperação com países como China e Rússia.

Além disso, Pequim tem instado Washington a não usar a chamada “ameaça chinesa” como pretexto para justificar ações unilaterais relacionadas à Groenlândia e outras regiões do Ártico, argumentando que isso frustra princípios do direito internacional e pode aumentar tensões geopolíticas desnecessariamente. A China tem ressaltado que suas atividades no Ártico seguem a legislação internacional e visam promover paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável na região.

A disputa em torno da Groenlândia ganhou repercussão global após Trump sugerir que os EUA considerem a aquisição ou controle do território para contrabalançar a influência de potências como China e Rússia, além de ameaçar impor tarifas sobre países europeus que se opuserem a essa iniciativa. A posição chinesa — enfatizando o multilateralismo, o respeito à soberania nacional e a cooperação global — reflete uma tentativa de afirmar seu papel nas discussões de segurança internacional sem inflamar rivalidades diretas.

Especialistas em relações internacionais observam que essa declaração surge em um momento de tensão entre as grandes potências, em que discursos sobre soberania, alianças militares e integração econômica estão sendo reexaminados, e pode influenciar como Estados-membros da União Europeia e da Otan ajustam suas políticas externas em relação a Washington e Pequim.

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