China reafirma defesa da ONU após convite ao “Conselho de Paz” de Trump

Pequim destaca compromisso com sistema multilateral centrado nas Nações Unidas e não confirma adesão ao novo fórum proposto pelos EUA

(Foto: Reprodução)

A China declarou, em 21 de janeiro de 2026, que continuará a defender “uma ordem mundial baseada nas Nações Unidas (ONU)”, um dia depois de confirmar que havia recebido um convite dos Estados Unidos para integrar o chamado “Conselho de Paz” proposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A posição foi reiterada por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, que enfatizou o papel central da ONU no sistema internacional.

O convite para que a China se junte ao Conselho de Paz foi divulgado na terça-feira (20), durante iniciativas do governo dos EUA para criar um fórum de líderes com o objetivo de apoiar a resolução de conflitos, incluindo a guerra em Gaza, conforme estatutos consultados por agências internacionais. Até o momento, o governo chinês não confirmou se aceitará ou não o convite para participar da nova estrutura proposta.

Em pronunciamento à imprensa em Pequim, o porta-voz Guo Jiakun afirmou que, independentemente das mudanças no cenário internacional, a China “defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu centro, a ordem internacional baseada nos objetivos e princípios da Carta da ONU”. Para Pequim, esse sistema está ancorado no direito internacional e nas normas fundamentais que orientam as relações entre Estados-membros.

A declaração chinesa ocorre em meio a debates globais sobre o papel e a eficácia das instituições multilaterais tradicionais frente a iniciativas paralelas. O Conselho de Paz, idealizado por Trump, tem sido apresentado pelo governo norte-americano como um fórum capaz de oferecer supervisão em processos de cessar fogo e reconstrução — inicialmente no contexto da Faixa de Gaza. Alguns países, no entanto, têm manifestado cautela ou reservas, inclusive sobre a capacidade de tal fórum vir a substituir ou competir com a ONU, que desempenha funções amplas de manutenção da paz, segurança e desenvolvimento global.

Especialistas em relações internacionais observam que a posição de defesa da ONU por parte da China reflete tanto interesses diplomáticos quanto estratégicos. Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, Pequim tem mantido um discurso de compromisso com o multilateralismo e com a implementação dos princípios de igualdade entre países, busca de soluções pacíficas para conflitos e respeito à soberania dos Estados. Embora a China tenha defendido reformas no sistema da ONU em diferentes ocasiões, sua postura atual reitera o papel central da organização para a governança global.

A abordagem adotada por Pequim tende a influenciar o modo como outros países articulam sua participação no Conselho de Paz e no sistema multilateral em geral. Ao reforçar o compromisso com a ONU, a China sinaliza continuidade em sua política externa pautada pela cooperação internacional, diálogo e estabilidade em questões que envolvem segurança coletiva, resolução de conflitos e respeito às normas estabelecidas pelo principal organismo global de governança.


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