A China continuará trabalhando para promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no Oriente Médio, afirmou o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante reunião com o primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad-Reza Aref, em 19 de outubro, em Duchambe, capital do Tadjiquistão. O encontro ocorreu à margem da reunião do Conselho dos Chefes de Governo da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS).
Segundo Li, Beijing tem buscado incentivar a paz e promover o diálogo diante das tensões na região. O premiê reiterou que a China pretende manter essa atuação com base nas iniciativas apresentadas pelo presidente Xi Jinping para a segurança regional.
Na reunião, Li também destacou os 55 anos de relações diplomáticas entre China e Irã e o décimo aniversário do estabelecimento da parceria estratégica abrangente entre os dois países, celebrado em 2026. Ele afirmou que as relações bilaterais mantiveram um desenvolvimento estável apesar das mudanças no cenário internacional e manifestou disposição para ampliar os intercâmbios e a cooperação em diferentes áreas.
Aref, por sua vez, afirmou que o Irã atribui grande importância às relações com a China e deseja aprofundar a cooperação econômica e política, manter contatos em diferentes níveis e fortalecer a coordenação em organismos multilaterais, incluindo a OCS e o BRICS.
China defende diálogo e respeito à soberania
A posição apresentada por Li está alinhada às propostas de Xi Jinping para promover a paz e a estabilidade no Oriente Médio. Entre os princípios defendidos pelo presidente chinês estão a coexistência pacífica entre os países da região, o respeito à soberania e à integridade territorial, a observância do direito internacional e a articulação entre segurança e desenvolvimento.
Em setembro, durante visita ao Egito, Xi voltou a defender uma nova arquitetura de segurança regional, com maior participação dos próprios países do Oriente Médio na definição de seu futuro. A proposta também enfatiza soluções abrangentes para os conflitos e a necessidade de considerar a questão palestina como elemento central da instabilidade regional.
Na reunião com Aref, Li afirmou que a soberania e a segurança de todos os países devem ser respeitadas. Ele pediu que as partes envolvidas optem pela paz e retomem o diálogo e as negociações o mais rápido possível, buscando resolver divergências por meios políticos e diplomáticos.
A declaração reafirma a linha diplomática que Beijing apresenta para a região. A defesa do diálogo, entretanto, não significa que os conflitos estejam resolvidos ou que exista consenso entre os atores envolvidos sobre os caminhos para alcançar um acordo.
Irã busca aprofundar parceria estratégica com Beijing
A reunião também evidenciou a importância atribuída por Teerã à relação com a China. Aref elogiou a atuação diplomática chinesa e afirmou que o Irã valoriza os esforços de Beijing para promover o diálogo, encerrar conflitos e defender o multilateralismo.
O vice-presidente iraniano manifestou interesse em manter contatos próximos com as autoridades chinesas e ampliar a cooperação em diferentes setores. Também destacou a importância da coordenação dentro de estruturas multilaterais, como a Organização de Cooperação de Shanghai e o BRICS.
A parceria entre China e Irã combina relações políticas, cooperação econômica e coordenação em temas internacionais. Para Beijing, a estabilidade do Oriente Médio tem relevância diplomática e econômica, inclusive devido à importância da região para os mercados de energia e para as rotas internacionais de transporte.
O encontro em Duchambe, contudo, não resultou, segundo as informações divulgadas, no anúncio de um novo acordo bilateral específico. A reunião serviu para reafirmar posições diplomáticas e a disposição de aprofundar a cooperação.
Papel dos fóruns multilaterais
A conversa ocorreu durante a reunião do Conselho dos Chefes de Governo da OCS, organização que reúne países da Ásia e da Eurásia para discutir cooperação em áreas como segurança, economia e desenvolvimento regional.
A participação de China e Irã nesse fórum oferece um espaço adicional para consultas políticas e coordenação diplomática. O Irã tornou-se membro pleno da organização em 2023, ampliando sua participação em mecanismos multilaterais nos quais Beijing também desempenha papel relevante.
Aref afirmou que a cooperação dentro dessas estruturas pode contribuir para o desenvolvimento das relações entre os dois países e para a defesa dos interesses que compartilham no cenário internacional.
Ao mesmo tempo, a atuação em fóruns multilaterais não elimina as diferenças entre os integrantes nem garante posições idênticas diante de todas as crises. Os resultados dependem das negociações, dos interesses nacionais e da disposição das partes em buscar soluções comuns.
A reunião entre Li Qiang e Mohammad-Reza Aref reforça a intenção de China e Irã de manter canais diplomáticos abertos e ampliar a coordenação política. Para Beijing, a promoção do diálogo no Oriente Médio continua sendo uma das frentes de sua atuação internacional, embora o avanço de negociações e a redução das tensões dependam também das decisões dos demais atores regionais.



