China fortalece “Grande Muralha Verde” para conter desertificação no Taklamakan

Projeto ambiental de décadas combina vegetação resistente, tecnologia e painéis solares para estabilizar solo e reduzir tempestades de areia

(Foto: Reprodução)

O governo chinês afirmou que concluiu a fase estrutural do cinturão verde — conhecido popularmente como “Grande Muralha Verde” — de cerca de 3 000 km ao redor do Deserto de Taklamakan, no noroeste do país, em uma iniciativa de combate à desertificação que se estende por mais de quatro décadas. O deserto, um dos maiores e mais inóspitos do mundo, tem ameaçado terras agrícolas, infraestrutura e assentamentos com tempestades de areia e avanço de dunas.

O esforço integra o amplo Programa Florestal do Cinturão de Abrigo dos Três Nortes, lançado em 1978 para enfrentar a erosão dos solos e a expansão de áreas áridas nas regiões norte, noroeste e nordeste da China. Ao longo dos últimos 46 anos, a iniciativa expandiu a área reflorestada em cerca de 32 milhões de hectares, e a cobertura florestal nas zonas abrangidas pelo programa aumentou substancialmente, um marco citado pelas autoridades chinesas como contribuição importante para o controle de desertificação e proteção de terras agrícolas.

Ao contrário de uma floresta densa tradicional, o cinturão ao redor do Taklamakan utiliza espécies adaptadas a condições áridas — como arbustos resistentes e tamargueiras — combinadas com sistemas de irrigação por gotejamento alimentados por energia gerada localmente. Grandes painéis solares instalados ao longo do cordão ambiental fornecem energia limpa para bombear água e operar sensores, além de criar sombra que reduz a evaporação do solo e favorece a fixação de vegetação rasteira em áreas sensíveis.

Especialistas ambientais observam que mais de 90 % das áreas críticas ao redor do deserto agora apresentam algum tipo de cobertura vegetal ou barreiras físicas que ajudam a reduzir o deslocamento de areia e a frequência de tempestades. Esses ganhos repercutem em menor necessidade de manutenção de infraestruturas e em uma redução dos impactos econômicos associados ao transporte e à agricultura nas regiões vizinhas.

Apesar dos avanços, desafios permanecem. O controle permanente da desertificação exige gestão contínua da água em regiões já marcadas por escassez hídrica e monitoramento frente às mudanças climáticas, que podem alterar padrões de chuva e secura. Técnicas inovadoras, como o uso de robótica para plantio automatizado em terrenos difíceis, também têm sido introduzidas para aumentar a eficiência dos esforços de revegetação.

Para analistas brasileiros que acompanham políticas de meio ambiente em escala global, o projeto chinês destaca tanto o potencial de intervenções humanas em ecossistemas áridos quanto a necessidade de integra-las a estratégias de uso sustentável da água e adaptação climática, especialmente em regiões fortemente dependentes de recursos hídricos limitados. Essas lições podem ser relevantes para o Brasil em seu próprio enfrentamento de desertificação e degradação de solos em áreas como o semiárido nordestino.

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