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sábado - 02 março 2024 - 07:11

China compra mais petróleo do Irã e reduz apetite por barris do Brasil e Angola

Importações recordes de petróleo do Irã pela China nos últimos meses reduziram o espaço para compras de produtores rivais, forçando vendedores do petróleo de países como Brasil, Angola e Rússia a reduzir preços e diversificar embarques para a Índia e Europa.

O salto nos volumes adquiridos do Irã surpreendeu o mercado e colocou um teto para o avanço dos preços do petróleo, embora o governo do presidente norte-americano, Joe Biden, tenha expectativa de retomar conversas com o Irã para reviver um acordo nuclear com o país.

O petróleo do Irã começou a entrar na China no final de 2019, apesar de duras sanções dos EUA, mas os volumes aumentaram a partir do final do ano passado, à medida que o petróleo se recuperou para preços acima dos 60 dólares e compradores foram atraídos pelas perspectivas de que os EUA retirassem as sanções sob o governo Biden.

A China recebeu uma média diária de 557 mil barris de petróleo do Irã entre novembro e março, ou cerca de 5% das importações totais da China, a maior importadora global, segundo a Refinitiv Oil Research, retomando níveis vistos antes da reimposição de sanções contra o Irã pelo então presidente norte-americano Donald Trump em 2019.

A maior parte desse petróleo acabou na província de Shandong, ao leste da China, onde se concentram refinarias independentes do país.

“Esses ´sensíveis´ barris estão esmagando as ofertas de todos outros lugares, uma vez que eles simplesmente são baratos demais”, disse um operador chinês que trabalha com vendas em Shandong, em referência ao petróleo iraniano, que segundo ele foi vendido entre 6 dólares e 7 dólares por barril abaixo dos valores praticados pelo Brasil recentemente.

Um segundo comerciante disse que fornecedores da América do Sul, Oeste da África e Mar do Norte estão aumentando esforços para encontrar novos mercados devido à redução da demanda chinesa por seu petróleo diante dos barris do Irã.

O Brasil, principal exportador da América do Sul, e Angola, no Oeste da África, estão entre os países mais afetados, enquanto o petróleo tipo ESPO da Rússia teve alguns raros negócios com os EUA registrados após a menor demanda chinesa.

Os embarques do Brasil, que no ano passado superou Angola e se tornou o quarto maior fornecedor da China graças a estratégias agressivas de marketing e preços atrativos, recuaram 36% em janeiro e fevereiro na comparação anual, embora os volumes chineses tenham subido 16% ano a ano em março, segundo avaliação da Refinitiv.

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