China anuncia planos de centros de dados de IA no espaço e mira concorrência com SpaceX

Nova estratégia espacial integra inteligência artificial orbital ao plano quinquenal e projeta “nuvem espacial” até 2030

(Foto: Reprodução / Wang Jiangbo / Xinhua)

A China anunciou que pretende lançar centros de dados de inteligência artificial (IA) no espaço nos próximos cinco anos, segundo um plano de desenvolvimento divulgado em 29 de janeiro de 2026 pela estatal China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC). A iniciativa faz parte do 15º Plano Quinquenal de tecnologia do país e coloca Pequim em competição direta com projetos similares anunciados pela empresa americana SpaceX, de Elon Musk, em um momento de expansão global da computação orbital.

De acordo com o documento citado pela mídia estatal, os centros de dados espaciais chineses serão construídos com infraestrutura digital de “classe gigawatt”, integrando recursos de nuvem, computação de borda (edge computing) e dispositivos terminais para permitir que dados originados na Terra sejam processados diretamente no espaço. Essa arquitetura, conforme a CASC, permitirá a integração profunda entre poder de processamento, capacidade de armazenamento e transmissão de dados em órbita terrestre baixa.

O avanço em direção à computação orbital ocorre em meio a um aumento exponencial da demanda por energia e capacidade de processamento associada ao desenvolvimento de IA em escala global. A proposta chinesa inclui, ainda, a criação de uma “nuvem espacial” até 2030, apoiada por grandes sistemas de energia solar orbital capazes de gerar energia de forma contínua sem as limitações de noite ou cobertura de nuvens encontradas na Terra.

O plano da China surge enquanto a SpaceX, com sede nos Estados Unidos, projeta lançar satélites-centros de dados de IA alimentados por energia solar já nos próximos dois a três anos, usando fundos previstos de um potencial IPO de US$ 25 bilhões. Elon Musk, fundador da SpaceX, afirmou em janeiro no Fórum Econômico Mundial que a energia solar em órbita pode gerar até cinco vezes mais eletricidade que os painéis terrestres, tornando o espaço “o lugar de menor custo” para abrigar computação intensiva.

Especialistas em tecnologia espacial observam que mover operações intensivas de IA para o espaço pode oferecer vantagens como acesso constante à energia solar e potenciais reduções nos custos de resfriamento, que são desafios significativos para grandes centros de dados terrestres. Ainda assim, o desenvolvimento tecnológico necessário — incluindo o lançamento e a manutenção de infraestrutura pesada em órbita, bem como a proteção contra radiação espacial — representa um obstáculo complexo que exige tempo, investimentos altos e inovação contínua.

A estratégia chinesa abrange também metas mais amplas no setor espacial definidas no plano quinquenal, incluindo voos suborbitais e o desenvolvimento de turismo espacial, além de esforços de longo prazo em propulsão interestelar e navegação em espaço profundo. A visão anunciada busca posicionar a China como uma potência líder mundial em domínio espacial até meados do século XXI.

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