Brasil anuncia 1º hospital público inteligente do SUS em São Paulo

Contrato de R$ 1,7 bilhão com o Banco do BRICS financiará o ITMI; projeto integra rede nacional com 14 UTIs automatizadas e inauguração prevista para 2029

(Foto: Reprodução / Ricardo Stuckert / PR)

O governo federal anunciou, em 7 de janeiro de 2026, a construção do primeiro hospital público inteligente do Brasil, que será instalado na cidade de São Paulo e integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi apresentado em cerimônia no Palácio do Planalto e está associado a um contrato de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) assinado com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS.

A nova unidade foi batizada de Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI) e terá investimento total estimado em R$ 1,9 bilhão, somando recursos federais e aportes do governo paulista, além do empréstimo. Com inauguração projetada para 2029, o ITMI foi desenhado para atender urgência e emergência, terapia intensiva e neurologia, com 800 leitos — 250 de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria — e capacidade para tratar cerca de 190 mil pacientes internados por ano. O plano também prevê 25 salas cirúrgicas, com meta de 27 mil procedimentos anuais.

O anúncio do hospital ocorre dentro de uma estratégia mais ampla: a Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes, que prevê investimento de R$ 4,8 bilhões e a implantação de 14 UTIs automatizadas e interligadas em hospitais de 13 estados. Segundo o Ministério da Saúde, as unidades devem operar de forma totalmente digital, com monitoramento contínuo e integração entre equipamentos e sistemas de informação, além de troca de conhecimento entre especialistas e conexão a uma central de pesquisa e inovação.

No desenho apresentado pelo governo, a transformação digital do SUS se apoiará em ferramentas como inteligência artificial para triagem e agendamento, telemedicina para ampliar o acesso a especialistas e ambulâncias com tecnologia 5G para monitoramento em tempo real de sinais vitais. O Ministério da Saúde também menciona tecnologias de maior complexidade, como cirurgia robótica, medicina de precisão e análise de dados assistenciais para otimizar operações hospitalares, com a expectativa de tornar o atendimento mais eficiente e acelerar diagnósticos.

Além do impacto doméstico, o governo tem enquadrado a iniciativa como uma vitrine de cooperação no âmbito do BRICS, citando parcerias tecnológicas em saúde com China e Índia. Do ponto de vista de política pública, o anúncio abre duas frentes de escrutínio: a capacidade de execução (cronograma de obras, aquisição de equipamentos e treinamento) e a governança do uso de dados e algoritmos em larga escala no atendimento público. O Ministério da Saúde afirma que a rede e o ITMI podem reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em urgência e emergência, e prevê que os primeiros serviços da rede comecem a operar no primeiro semestre de 2026, enquanto a unidade central ficaria para 2029.

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