Acordo Mercosul-UE cria uma das maiores zonas de livre comércio e pode baratear produtos no Brasil

Tratado histórico assinado após mais de 25 anos de negociações amplia comércio entre América do Sul e Europa, com impacto em preços e exportações brasileiras

(Foto: Reprodução)

Após mais de duas décadas de negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) assinaram neste sábado (17/1) em Assunção, no Paraguai, um tratado econômico abrangente que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando cerca de 720 milhões de consumidores e um mercado estimado em mais de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

A cerimônia de assinatura reuniu chefes de Estado, ministros e representantes de alto nível dos países envolvidos. Pelo Mercosul, participaram presidentes como Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina) e Yamandú Orsi (Uruguai), além de Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá). O Brasil esteve representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela UE, estiveram presentes Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil, o acordo implica acesso preferencial do Mercosul ao bloco europeu, que é a terceira maior economia do mundo, com cerca de 15% do PIB global. Para o Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a cobertura de comércio brasileiro com preferências tarifárias saltará de 8% para 36% do comércio global de bens, ampliando significativamente o alcance de exportações brasileiras.

O tratado prevê a eliminação ou redução gradual de mais de 90% das tarifas entre os dois blocos ao longo de um cronograma de até uma década, com transição mais longa para o Mercosul em alguns produtos, o que significa que muitos bens brasileiros — principalmente agrícolas e commodities — entrarão no mercado europeu com tarifas menores ou zeradas. Analistas destacam que esse mecanismo pode favorecer os produtos brasileiros em mercados antes restritos por tarifas elevadas, potencialmente reduzindo preços para consumidores e ampliando competitividade.

Entre as expectativas brasileiras, há projeções de que o acordo possa impulsionar exportações de itens como carne bovina, soja, açúcar e etanol, ampliando cotas e acesso ao mercado europeu em patamares superiores aos de acordos anteriores com outros países. A indústria também pode se beneficiar por meio da abertura de mercados e da inserção em cadeias de valor mais amplas.

Apesar da assinatura, o tratado ainda não está em vigor. Ele precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos legislativos dos países do Mercosul, inclusive o Congresso Nacional brasileiro, que já instalou subcomissões parlamentares para acompanhar o processo. Estimativas do governo brasileiro indicam que a vigência parcial ou total dos efeitos comerciais pode começar no segundo semestre de 2026, dependendo da tramitação legislativa.

Para especialistas brasileiros, esse acordo pode representar um marco histórico no comércio exterior do país, com potencial de influenciar preços de produtos importados, reduzir custos para consumidores e ampliar oportunidades para exportadores nacionais, ao mesmo tempo em que impõe desafios de adaptação da indústria à nova concorrência global.

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