China atrai mais visitantes estrangeiros com expansão da entrada sem visto

A China vem atraindo um número crescente de visitantes estrangeiros em meio à ampliação das políticas de entrada sem visto e a medidas para facilitar a experiência de viagem. No terceiro trimestre de 2026, as entradas de estrangeiros com isenção de visto alcançaram 8,99 milhões, um crescimento de 24,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Nacional de Imigração chinesa.

Entre julho e setembro, as autoridades registraram 23,27 milhões de travessias de fronteira realizadas por estrangeiros, alta anual de 15,6%. As entradas sem visto corresponderam a 77,5% do total de entradas de estrangeiros no período.

Os números indicam a importância crescente das medidas de facilitação migratória para o turismo receptivo chinês. A tendência também acompanha mudanças no perfil das viagens internacionais, com visitantes interessados não apenas em atrações históricas e grandes centros urbanos, mas também em gastronomia, cotidiano local, experiências culturais e novas tecnologias.

Políticas de entrada ampliam o acesso ao país

A China vem expandindo gradualmente as possibilidades de entrada sem visto para cidadãos de outros países. Em setembro de 2026, a política unilateral de isenção abrangia viajantes de 50 países elegíveis, permitindo estadias de até 30 dias para as finalidades previstas nas regras.

O país também mantém um programa de trânsito sem visto de até 240 horas para cidadãos de 57 países, sujeito a condições específicas de elegibilidade, itinerário e entrada por pontos autorizados.

Essas modalidades são diferentes: a isenção unilateral permite a entrada de cidadãos de países selecionados para determinadas finalidades, enquanto a política de trânsito se aplica a viajantes que seguem viagem para um terceiro país ou região e atendem aos requisitos estabelecidos pelas autoridades chinesas.

A ampliação das facilidades migratórias faz parte dos esforços de Pequim para promover intercâmbios internacionais e estimular o turismo receptivo. Além das regras de entrada, as autoridades têm adotado medidas para melhorar os serviços destinados a visitantes estrangeiros, incluindo pagamentos, reembolso de impostos e acesso a informações em outros idiomas.

Visitantes buscam experiências além dos destinos tradicionais

A procura por experiências locais vem ampliando o repertório de atividades procuradas por turistas estrangeiros. Além de monumentos históricos e grandes cidades, viajantes têm demonstrado interesse por mercados noturnos, gastronomia regional, patrimônio cultural imaterial, paisagens naturais e atividades ligadas ao cotidiano chinês.

Dados divulgados pelo Diário do Povo Online em setembro mostram que, no primeiro semestre de 2026, estrangeiros reservaram passagens aéreas para 160 cidades chinesas por meio da plataforma Qunar. A plataforma de hospedagem Tujia informou que visitantes internacionais se hospedaram em residências locais em 330 cidades durante o mesmo período.

Embora Beijing, Shanghai, Guangzhou e Shenzhen permaneçam importantes portas de entrada, destinos de menor porte também vêm ganhando espaço. Entre as regiões que registraram crescimento nas reservas de hospedagem domiciliar por estrangeiros estavam Gansu, Xinjiang, Ningxia, Qinghai e Shanxi.

A diversificação dos destinos sugere que parte dos visitantes está ampliando seus itinerários para além dos roteiros mais conhecidos. A rede ferroviária de alta velocidade, a oferta de serviços digitais e a expansão de opções de pagamento contribuem para facilitar deslocamentos e organizar viagens que incluem diferentes cidades.

Turismo e serviços ganham importância

A mudança também aparece nos tipos de serviços procurados durante as viagens. Segundo análises citadas pelo Diário do Povo Online, visitantes estrangeiros têm incorporado às suas experiências atividades como cuidados pessoais, serviços odontológicos, alfaiataria e práticas de medicina tradicional chinesa.

Esse movimento amplia a relação entre turismo e consumo de serviços. Em vez de concentrar os gastos apenas em hospedagem, transporte e atrações, parte dos visitantes passa a incluir atividades cotidianas e serviços especializados no planejamento das viagens.

Para as autoridades chinesas, facilitar a entrada é apenas uma etapa do desenvolvimento do turismo receptivo. A qualidade dos serviços, a acessibilidade das informações e a possibilidade de visitar diferentes regiões também influenciam a experiência dos viajantes.

Meta de crescimento até 2030

Em 2025, a China registrou mais de 150 milhões de visitas de turistas estrangeiros, com crescimento superior a 17% em relação ao ano anterior. Os gastos desses visitantes ultrapassaram US$ 130 bilhões, aumento de quase 40%, segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas.

O plano de desenvolvimento do turismo para 2026 a 2030 estabelece a meta de atrair 190 milhões de visitas internacionais por ano até o fim do período, com gastos anuais superiores a US$ 150 bilhões.

A expansão das políticas de entrada sem visto, o investimento em infraestrutura e a diversificação das experiências oferecidas são componentes dessa estratégia. O avanço dependerá também da capacidade de manter serviços acessíveis, atender às necessidades de visitantes de diferentes países e transformar o crescimento das chegadas em benefícios econômicos para destinos e comunidades locais.

Os dados do terceiro trimestre apontam para a continuidade do crescimento das entradas de estrangeiros e do uso das modalidades sem visto. Para avaliar o alcance dessa tendência, será importante acompanhar os próximos resultados oficiais e distinguir o número de travessias de fronteira da quantidade de viajantes individuais, bem como separar turistas de pessoas que entram no país por outros motivos.

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