O Ministério do Comércio da China manifestou forte oposição às recentes medidas dos Estados Unidos contra empresas chinesas de inteligência artificial (IA), incluindo a proibição do uso da DeepSeek em sistemas de agências civis do governo federal americano e a imposição de sanções a cinco entidades chinesas por suposto roubo de segredos comerciais.
Em declarações divulgadas em 20 de outubro, o ministério afirmou que as restrições prejudicam os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, comprometem a concorrência e interferem na cooperação comercial entre os dois países no setor de inteligência artificial. Pequim pediu que Washington revogue as medidas e afirmou que poderá adotar ações para proteger seus interesses.
EUA determinam retirada de produtos da DeepSeek
A controvérsia ganhou força após o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos anunciar, em 19 de outubro, uma ordem para retirar produtos da DeepSeek e serviços de terceiros que utilizem seu modelo de IA dos sistemas de tecnologia da informação de agências civis federais. A determinação também impede essas agências de adquirir os produtos e serviços abrangidos pela medida.
O governo americano justificou a decisão com preocupações de segurança nacional. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o Departamento de Segurança Interna alegou que o uso dos modelos poderia criar riscos relacionados à transferência de dados sensíveis para a China quando empregados por funcionários públicos ou fornecedores do governo.
A medida se refere às agências civis federais e não deve ser interpretada automaticamente como uma proibição geral da DeepSeek para todos os usuários nos Estados Unidos.
Em resposta, o Ministério do Comércio chinês afirmou que as empresas nacionais de inteligência artificial procuram oferecer serviços seguros e confiáveis aos usuários internacionais e respeitar as leis dos países onde atuam. O órgão classificou as restrições americanas como discriminatórias e acusou Washington de ampliar o conceito de segurança nacional para justificar medidas contra empresas chinesas.
Pequim também pediu que os dois países utilizem o mecanismo de diálogo bilateral sobre inteligência artificial para ampliar a comunicação, administrar divergências e criar condições para a continuidade da cooperação.
Sanções atingem cinco entidades chinesas
Em uma declaração separada, o Ministério do Comércio chinês contestou as sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra cinco entidades chinesas, acusadas pelo governo americano de envolvimento em roubo de segredos comerciais relacionados à inteligência artificial.
Entre as entidades citadas pela Reuters está a Shanghai Zhisuan Technology, empresa de IA fundada pelo ex-engenheiro de software do Google Linwei Ding. As medidas americanas também atingem uma empresa de capital de risco que financiou a companhia e outras três entidades relacionadas.
As sanções foram anunciadas em 19 de outubro, com base em acusações de apropriação indevida de segredos comerciais. O governo chinês rejeitou a caracterização americana e afirmou que o avanço de suas empresas de inteligência artificial resulta de investimentos contínuos em pesquisa básica, inovação tecnológica e cooperação aberta.
A manifestação de Pequim não representa uma decisão judicial sobre as acusações, mas a posição oficial do governo chinês diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos.
Disputa tecnológica amplia tensão bilateral
A reação chinesa ocorre em um contexto de divergências entre Washington e Pequim sobre segurança tecnológica, propriedade intelectual e acesso a tecnologias de inteligência artificial. As duas medidas anunciadas pelos Estados Unidos atingem aspectos diferentes dessa disputa: uma restringe o uso de produtos da DeepSeek em sistemas governamentais; a outra impõe sanções a entidades acusadas de envolvimento em práticas relacionadas a segredos comerciais.
O Ministério do Comércio chinês afirmou que o desenvolvimento das empresas nacionais de IA está ligado à pesquisa de longo prazo e à combinação entre autonomia tecnológica e cooperação internacional. O órgão pediu que os Estados Unidos interrompam o que classificou como repressão injustificada às empresas chinesas e restabeleçam condições para a concorrência.
Pequim também relacionou sua resposta ao entendimento alcançado anteriormente pelos presidentes dos dois países, defendendo que Washington cumpra os compromissos bilaterais e utilize os canais de diálogo existentes.
O ministério afirmou que acompanhará os desdobramentos e tomará as medidas necessárias caso considere que os interesses legítimos da China e de suas empresas estejam sendo prejudicados.
As declarações não indicam, por si só, quais contramedidas poderão ser adotadas nem estabelecem um cronograma para eventuais novas ações. O alcance futuro da disputa dependerá das decisões dos dois governos e da evolução dos canais de negociação sobre inteligência artificial e relações comerciais.



