Escultura de mais de 3 metros amplia diálogo artístico entre Brasil e China em São Paulo

Escultura de mais de 3 metros amplia diálogo artístico entre Brasil e China em São Paulo

Obra “Savage”, do escultor brasileiro Zê Vasconcellos, integra exposição com mais de cem trabalhos dos dois países, que percorre representações do cavalo da arte antiga à produção contemporânea.

Uma escultura de aço inoxidável com mais de três metros de altura é um dos destaques da exposição O Cavalo na Arte Sino-Brasileira, em cartaz no Museu da Energia de São Paulo. Criada pelo artista brasileiro Zê Vasconcellos, a obra Savage foi incorporada à mostra em outubro, ampliando o diálogo entre diferentes tradições artísticas e culturais do Brasil e da China.

A exposição reúne mais de cem obras de artistas dos dois países e apresenta diferentes interpretações de um animal que ocupa lugar importante na história, nos mitos, nas tradições e no imaginário de diversas sociedades. O percurso vai da arte chinesa antiga à produção contemporânea, aproximando linguagens e períodos históricos distintos.

A mostra integra o Brasinês — Festival Internacional Sino-Brasileiro — e faz parte da programação do Ano Cultural Brasil-China de 2026. Com curadoria de Anna Paola Baptista e Clay D’Paula, a exposição permanece aberta ao público até 22 de novembro.

Uma escultura contemporânea em diálogo com a história

Em posição erguida, a escultura Savage explora a força e a anatomia do cavalo. Com 3,67 metros de altura e 2,70 metros de comprimento, a obra foi produzida com aço inoxidável reciclado. Sua construção utiliza a soldagem de pequenas peças e recortes de metal, técnica que cria uma superfície detalhada e transmite uma sensação de movimento.

A presença de uma escultura contemporânea ao lado de obras históricas evidencia uma das propostas centrais da exposição: mostrar como um mesmo animal pode assumir significados distintos conforme o período, a sociedade e a linguagem artística.

Na cultura chinesa, o cavalo está associado a ideias de força, movimento e vitalidade e aparece em diferentes tradições artísticas. No Brasil, o animal também integra o imaginário histórico e cultural, relacionado, entre outros aspectos, à vida rural, ao transporte e às atividades do campo. A exposição aproxima essas referências sem apagar as diferenças entre as duas experiências culturais.

Mais de cem obras e cinco núcleos temáticos

A mostra está organizada em cinco núcleos: “A Prática da Representação”, “Poder, Glória e Serventia”, “Mitos e Símbolos”, “Diversão e Alegria” e “Confluências Culturais”.

O conjunto inclui pinturas, esculturas e outras manifestações artísticas, com obras de diferentes períodos. Entre os artistas brasileiros presentes estão Djanira, Francisco Faria, Sofia Borges, Flávia Junqueira e Leandro Júnior. A seleção também inclui trabalhos do artista chinês Hua Tunan, apresentados pela primeira vez na América Latina, além de peças provenientes de instituições como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu Oscar Niemeyer, o Museu do Ipiranga e o Museu Histórico Nacional.

O recorte histórico, que abrange desde a Dinastia Han, entre 206 a.C. e 220 d.C., até a arte contemporânea, permite observar mudanças nas técnicas, nos materiais e nas funções atribuídas à imagem do cavalo.

A escolha do Museu da Energia como sede também acrescenta uma dimensão conceitual à exposição. Antes da disseminação da eletricidade e da mecanização, o cavalo esteve entre as principais forças de movimento utilizadas pelas sociedades humanas. A associação entre o animal e o fogo, tema central do festival, remete à energia e à transformação.

O Brasinês amplia essa proposta para além das artes visuais, com atividades ligadas à literatura, à poesia, à gastronomia e a experiências culturais e sensoriais. A iniciativa busca criar espaços de contato entre referências brasileiras e chinesas por meio de diferentes linguagens.

Cultura como espaço de intercâmbio entre os países

A exposição ocorre em um ano dedicado ao intercâmbio cultural entre Brasil e China. Nesse contexto, a reunião de obras de diferentes origens oferece uma perspectiva sobre como as artes podem aproximar histórias, símbolos e experiências sem apagar suas particularidades.

Ao colocar uma escultura contemporânea brasileira em diálogo com obras históricas e produções chinesas, a mostra apresenta a cultura como uma dimensão das relações bilaterais que vai além do comércio e da cooperação econômica.

O cavalo funciona como ponto de partida para esse encontro: um tema reconhecível nos dois países, mas representado por tradições artísticas, contextos históricos e interpretações diferentes.

A incorporação de Savage atualiza o conjunto expositivo e reforça a presença da escultura contemporânea na mostra. Mais do que ilustrar um símbolo compartilhado, a exposição convida o público a observar como diferentes culturas constroem sentidos próprios em torno de uma mesma figura.

SERVIÇO

O Cavalo na Arte Sino-Brasileira

Local: Museu da Energia de São Paulo
Endereço: Alameda Cleveland, 601, Campos Elíseos, São Paulo (SP)
Período: Até 22 de novembro de 2026
Visitação: Terça a domingo; fechado às segundas-feiras
Horários: Terças-feiras, das 11h às 18h; de quarta a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: Gratuitos às terças-feiras. De quarta a sexta, R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada). Aos sábados e domingos, R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Ingresso família: R$ 80. Professores das redes pública e privada têm entrada gratuita mediante comprovação de vínculo.

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