Dois pandas gigantes vindos da China chegaram no domingo (27) ao Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos, poucos dias depois de o presidente chinês Xi Jinping anunciar a viagem dos animais durante sua visita de Estado a Washington. Ping Ping e Fu Shuang passam a integrar um novo acordo de cooperação para a conservação da espécie e devem permanecer por 10 anos na cidade americana.
A chegada concretiza uma das iniciativas anunciadas por Xi durante a visita realizada entre 23 e 25 de setembro, quando o presidente chinês e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram temas relacionados ao futuro das relações bilaterais. Na ocasião, Xi destacou a importância dos contatos entre os povos e anunciou também o convite para que 100 mil jovens americanos visitem a China nos próximos cinco anos.
O novo programa envolvendo os pandas foi estabelecido entre o Zoológico de Atlanta e a Associação Chinesa para a Conservação da Vida Selvagem (CWCA, na sigla em inglês). Segundo o acordo, os animais participarão de um programa de cooperação internacional para a proteção de pandas gigantes. O zoológico americano realizou melhorias em suas instalações com assistência técnica de especialistas chineses para receber os animais.
Ping Ping, um macho, nasceu em 17 de março de 2020, enquanto Fu Shuang, uma fêmea, nasceu em 18 de outubro do mesmo ano. Os dois vieram da Base de Pesquisa de Criação de Pandas Gigantes de Chengdu, na província chinesa de Sichuan, e viajaram para Atlanta em um avião cargueiro Boeing 777 da FedEx preparado especialmente para o transporte.
A chegada, porém, não significa que os visitantes do zoológico poderão vê-los imediatamente. Os dois animais passarão por um período de quarentena de aproximadamente um mês em uma área de biossegurança do novo complexo destinado aos pandas. O zoológico ainda não anunciou a data da apresentação pública.
A presença dos animais também retoma uma história de cooperação entre Atlanta e instituições chinesas. O primeiro acordo do zoológico com a China começou em 1999 e permaneceu ativo por 25 anos. Durante esse período, o casal Lun Lun e Yang Yang teve sete filhotes, incluindo dois pares de gêmeos. Os quatro pandas que permaneciam em Atlanta deixaram a cidade em outubro de 2024 e retornaram à China.
O novo acordo ocorre dentro de uma trajetória mais ampla de colaboração sino-americana para a conservação da espécie. Segundo a Xinhua, a cooperação entre os dois países envolve pesquisas em áreas como comportamento, nutrição, genética e prevenção de doenças. Desde o início dos programas conjuntos, pandas mantidos nos Estados Unidos tiveram 17 filhotes: seis em San Diego, quatro em Washington e sete em Atlanta.
A conservação também mudou a situação dos pandas na natureza. A espécie, que já foi classificada como ameaçada de extinção, passou à categoria “vulnerável” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em 2016. O Zoológico de Atlanta informa que existem cerca de 1.900 pandas gigantes vivendo em estado selvagem e que 72% estão em áreas de reservas naturais sob proteção rigorosa.
O retorno dos pandas a Atlanta ocorre, portanto, dentro de uma estrutura que combina pesquisa, conservação, cuidados veterinários e intercâmbio técnico. Para o zoológico americano, o novo acordo permite retomar atividades desenvolvidas durante os 25 anos anteriores. Para as instituições chinesas envolvidas, a cooperação amplia a troca de experiências sobre manejo e conservação da espécie.
Um símbolo dentro de uma relação mais ampla
A escolha dos pandas para representar esse novo momento de cooperação não é casual. Os animais fazem parte da história dos contatos entre China e Estados Unidos desde 1972, quando dois pandas chegaram ao país após a visita do então presidente americano Richard Nixon à China. Mais de 8 mil americanos acompanharam a chegada dos animais, segundo a Xinhua, e mais de 1 milhão de pessoas visitaram os pandas no primeiro mês de exposição.
Desde então, a cooperação com zoológicos estrangeiros passou a incluir, além da exposição dos animais, pesquisas e programas de conservação. A partir de 1984, a China deixou de utilizar a prática de presentear pandas a outros países e passou a adotar acordos de empréstimo e cooperação, modelo que permanece nas iniciativas atuais.
O episódio de Atlanta se conecta diretamente ao que Xi Jinping apresentou durante sua visita a Washington. Em seu discurso na cerimônia de chegada à Casa Branca, o presidente chinês afirmou que o futuro das relações entre os dois países depende também dos contatos entre suas populações e anunciou o programa para levar 100 mil jovens americanos à China nos próximos cinco anos. Na mesma ocasião, apresentou os pandas como parte dessa aproximação entre os povos.
A chegada de Ping Ping e Fu Shuang acontece enquanto os governos de China e Estados Unidos mantêm negociações em diferentes áreas. Durante a visita de Xi, os dois países anunciaram entendimentos envolvendo comércio, inteligência artificial, combate ao narcotráfico e comunicação entre as forças armadas, além de reafirmarem a intenção de construir uma relação descrita pelos dois lados como de estabilidade estratégica.
Nesse contexto, os pandas representam uma dimensão diferente da relação bilateral: aquela construída por meio de conservação, pesquisa científica e contato direto com o público. A chegada dos animais a Atlanta não substitui as negociações entre os governos nem resolve as divergências existentes entre os dois países, mas materializa um dos acordos de cooperação anunciados no período da visita de Xi.
Por enquanto, Ping Ping e Fu Shuang permanecem longe dos visitantes, em adaptação ao novo ambiente. Quando forem apresentados ao público, os dois pandas voltarão a ocupar um espaço que Atlanta conheceu durante um quarto de século: o de aproximar, por meio da conservação de uma espécie emblemática, instituições e pesquisadores dos dois países.



