A China registrou cerca de 35 mil novas empresas com capital estrangeiro no primeiro semestre de 2026, aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado divulgado pela Administração Estatal de Regulação do Mercado sugere que investidores internacionais continuam abrindo estruturas empresariais no país, apesar das incertezas comerciais e geopolíticas.
O indicador precisa ser interpretado corretamente. Ele mede o número de empresas recém-constituídas, e não o volume de dinheiro efetivamente aplicado. Uma pequena companhia e um grande projeto industrial entram na mesma contagem. Por isso, o crescimento das inscrições mostra disposição para explorar o mercado, mas não permite concluir sozinho que todo o investimento estrangeiro esteja avançando no mesmo ritmo.
Entre as principais províncias exportadoras, Hainan apresentou alta anual de 38,6% no número de novas empresas estrangeiras. Shandong cresceu 15,2%, Guangdong avançou 8,1% e Jiangsu, 6,8%. Hainan ganhou destaque após o início de operações aduaneiras especiais em toda a ilha, em dezembro de 2025, dentro da estratégia de transformar o território em porto de livre comércio.
Os serviços ligados ao consumo também cresceram. A criação de empresas estrangeiras em saúde e assistência social subiu 27,1%. No atacado e varejo, o avanço foi de 11,9%, enquanto hospedagem e alimentação registraram aumento de 11,7%. Esses números apontam interesse não apenas na manufatura exportadora, mas também no mercado consumidor chinês.
Dados separados do Ministério do Comércio indicam que quase 4.800 empresas estrangeiras já instaladas fizeram aportes adicionais no primeiro semestre. O investimento direto estrangeiro em setores de alta tecnologia aumentou 33,2% em termos anuais, segundo as informações divulgadas pelo governo. Ainda assim, a análise completa exige observar o fluxo total de capital e sua distribuição entre atividades.
Em junho, autoridades chinesas anunciaram um plano com 15 medidas para estabilizar e melhorar a utilização de investimento estrangeiro. As prioridades incluem maior abertura em serviços, promoção da iniciativa Invest China e resposta a reclamações sobre participação em compras públicas e igualdade de condições operacionais.
Para empresas brasileiras, os dados ajudam a identificar onde a demanda está surgindo. Saúde, varejo, alimentação e serviços digitais podem oferecer oportunidades para marcas e fornecedores que entendam hábitos locais. Hainan também pode funcionar como plataforma para comércio, turismo e distribuição, embora regras tributárias e aduaneiras devam ser avaliadas caso a caso.
A abertura de uma empresa na China envolve desafios de conformidade, propriedade intelectual, contratação e localização de produtos. Companhias brasileiras precisam verificar exigências setoriais e escolher parceiros com capacidade comprovada. O crescimento agregado das novas inscrições não elimina diferenças regulatórias entre províncias nem garante sucesso comercial.
O resultado do primeiro semestre sinaliza renovação do interesse estrangeiro, sobretudo em segmentos de consumo e tecnologia. A confirmação de uma tendência mais forte dependerá de dados futuros sobre capital realizado, reinvestimento, lucros e permanência das empresas. Para o Brasil, a oportunidade está em acompanhar esses movimentos com estratégia, em vez de tratar a expansão estatística como garantia automática de mercado.












