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sexta-feira - 28 agosto 2026 - 15:52
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Brasil busca investimentos asiáticos para ampliar infraestrutura portuária, aeroportuária e hidroviária

Missão do Ministério de Portos e Aeroportos à China e Singapura reuniu empresas e instituições financeiras e resultou em acordo para corredor verde e digital de navegação

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Foto: Reprodução

O Ministério de Portos e Aeroportos encerrou nesta sexta-feira (28), em Singapura, uma missão internacional voltada à apresentação de projetos brasileiros de infraestrutura a empresas e investidores asiáticos. A agenda, iniciada na China e com passagens por Pequim e Xangai, teve como foco ampliar oportunidades nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário e aproximar potenciais parceiros da carteira de projetos prevista para os próximos anos.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, as reuniões realizadas durante a viagem demonstraram interesse de empresas asiáticas nos projetos brasileiros. Na avaliação do ministro, a segurança institucional e regulatória e a estruturação dos empreendimentos estão entre os fatores que tornam o país atrativo para investimentos em infraestrutura.

Durante a passagem pela China, a delegação brasileira manteve reuniões com empresas como CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping, além de representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do Brics. Os encontros tiveram como objetivo apresentar projetos e discutir possibilidades de participação de grupos asiáticos na modernização da infraestrutura brasileira.

A carteira apresentada pelo Ministério de Portos e Aeroportos inclui concessões em diferentes áreas. No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo os rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim. A agenda também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

Em Singapura, a missão brasileira incluiu uma reunião com a PSA International, operadora portuária e logística que movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025. A empresa mantém presença no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

A delegação também visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA, para conhecer uma operação portuária automatizada. O empreendimento, cuja conclusão está prevista para 2040, terá capacidade projetada para movimentar até 65 milhões de TEUs por ano. Entre as soluções apresentadas ao grupo brasileiro estavam sistemas de automação e digitalização, além de medidas relacionadas à sustentabilidade e à adaptação da infraestrutura à elevação do nível do mar.

A visita técnica ocorreu no mesmo dia em que Brasil e Singapura formalizaram um Memorando de Entendimento para cooperação na criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. O documento foi assinado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pelo Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo prevê cooperação em iniciativas de descarbonização e digitalização do transporte marítimo. Entre as áreas previstas estão estudos sobre combustíveis de baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa, pesquisa e desenvolvimento, instrumentos financeiros e intercâmbio de informações.

A missão também se relaciona ao planejamento de longo prazo da infraestrutura brasileira. Segundo Tomé Franca, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 oferece uma referência para orientar a integração dos diferentes modais de transporte e a estruturação de projetos.

Ao final da viagem, o ministro avaliou que a agenda ampliou o diálogo com empresas que já possuem operações no Brasil e abriu novas possibilidades de parceria com investidores asiáticos. A missão também reforçou a busca por cooperação em áreas que combinam infraestrutura, tecnologia, digitalização e transição para modelos de transporte com menor emissão de gases de efeito estufa.

Para o Brasil, a aproximação com empresas e instituições asiáticas ocorre em um momento de ampliação da carteira de projetos de infraestrutura e de busca por capital e tecnologia para modernizar a logística nacional. As reuniões realizadas na China e em Singapura representam uma etapa de prospecção, enquanto eventuais investimentos dependerão da evolução das negociações e da estruturação de cada empreendimento.